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19/08/2009 - 13h16

Associação de Radiodifusão condena a perseguição de Chávez à imprensa

MONTEVIDÉU, 19 Ago 2010 (AFP) -A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) condenou nesta quinta-feira a sistemática perseguição contra os meios de comunicação privados na Venezuela, depois da decisão da justiça desse país de proibir a difusão de imagens sobre a violência.

"Todos sabemos que na Venezuela não existe independência do Poder Judicial. Uma ordem dessa natureza, ainda que emane de um tribunal, responde a uma política de Estado, ditada do Palácio de Miraflores, coerente com a sistemática perseguição aos meios privados e independentes nesse país", assinalou o presidente da AIR, Luis Pardo Sáinz, citado por um comunicado da organização.

"Se houver violência, se o Estado abandonar os cidadãos a sua sorte e os mortos se amontoarem indignamente no necrotério, isso, por decreto, deixa de ser notícia e não pode ser informado?", acrescenta o presidente da associação, que representa mais de 17.000 emissoras privadas de rádio e televisão em todo mundo.

A AIR denunciou ainda que "ao fechamento arbitrário de canais de televisão e radioemissoras, à ameaça de fechamento, sanções e perseguições exercidas sobre as que sobreviveram, agora se soma uma nova estratégia para amordaçar a imprensa escrita".

Na véspera, o jornal venezuelano El Nacional acatou a decisão de um tribunal de não publicar informações ou fotos sobre episódios de violência, e optou por deixar um espaço em branco em sua edição desta quarta-feira, preenchidos apenas pela palavra "censurado" em letras vermelhas.

"Estamos censurados. Isso é inconstitucional e atenta contra a liberdade de expressão", protestou Miguel Henrique Otero, editor de El Nacional em uma entrevista a uma rádio na manhã desta quarta.

A decisão do tribunal 12 de Caracas, emitida na véspera, proíbe ao jornal "a publicação de imagens, informações e publicidade de qualquer tipo de conteúdo com sangue, armas, mensagens de terror, agressões físicas que aticem conteúdos de guerra e mensagens sobre mortes e assassinatos".

A decisão aconteceu pouco dias depois de El Nacional, duro crítico do governo, ter colocado em sua primeira página uma polêmica foto que mostrava inúmeros corpos no necrotério de Caracas.

"Se aqui houvesse uma foto, vocês veriam um pai chorando por um filho que morreu", afirma a legenda de um dos espaços em branco publicados na edição de hoje.

Outra sentença do mesmo tribunal estende a proibição a todos os meios impressos do país de publicar por um mês "imagens violentas, sangrentas, grotescas, acontecidos ou não, que de uma forma ou outra vulnerem a integridade psíquica e moral das crianças".

O tema está no centro do debate político nos últimos dias, ante as cruciais eleições legislativas de 26 de setembro, nas quais o governo aspira manter pelo menos dois terços da maioria.

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