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21/08/2009 - 12h28

Abdullah Abdullah denuncia fraudes eleitorais da equipe de Karzai

CABUL, Afeganistão, 21 Ago 2009 (AFP) - O ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah, principal adversário do presidente Hamid Karzai na eleição presidencial afegã, afirmou nesta sexta-feira estar liderando a disputa e denunciou as fraudes múltiplas cometidas pela equipe de seu adversário.

"Estou na liderança", afirmou Abdullah Abdullah em entrevista à AFP em Cabul, citando os relatórios de seus observadores nos colégios eleitorais.

A equipe de Karzai também anunciou nesta sexta-feira a provável vitória de seu candidato no primeiro turno.

"Acho que eles estão se referindo ao resultado da votação no palácio presidencial. Vamos deixar que eles nos divirtam até o anúncio do resultado final", ironizou Abdullah.

Para o ex-chanceler, os maiores problemas registrados durante a segunda eleição presidencial da história do Afeganistão ocorreram em Kandahar, a grande cidade do sul, onde o influente chefe do conselheiro provincial é Ahmad Wali Karzai, irmão do presidente.

Ahmad Wali Karzai foi acusado diversas vezes de envolvimento com o tráfico de ópio, o que sempre negou. O Afeganistão é responsável por mais de 90% da produção mundial de ópio.

Apesar de Hamid Karzai ser pashtun, como os moradores de Kandahar, Abdullah espera se aproveitar do fato de seu pai ter nascido na cidade para conseguir um bom resultado.

Abdullah denunciou "ameaças contra os organizadores e os observadores das eleições" e "representantes do governo usando e abusando de seu poder contra os outros candidatos".

Estas irregularidades "foram mais evidentes em Kandahar do que em qualquer outra parte do país", insistiu.

De um modo geral, as eleições de quinta-feira, ameaçadas pela violência, foram objeto de "fraudes", mas "o fato de as pessoas terem votado" constitui "um progresso", admitiu Abdullah.

O nível de participação foi alto no norte do Afeganistão, mas "insatisfatório" em outras áreas como Cabul e o sul do país.

"Esperávamos uma forte participação, mas não foi o caso, devido à insegurança", lamentou.

Além disso, "a competência e a idenpendência da Comissão Eleitoral", que organizou a votação e anunciará os resultados, "pode ser questionada", destacou Abdullah. "A Comissão trabalhou principalmente para Karzai", denunciou. A imparcialidade da Comissão também foi questionada por observadores independentes.

Abdullah Abdullah garantiu não temer um segundo turno com Karzai. "Acho que o nível de participação será bem mais elevado do que no primeiro turno. As pessoas teriam maiores esperanças, e transformariam isso numa vitória", analisou.

O ex-chanceler se disse "pronto para aceitar" a vitória de Karzai, desde que a eleição seja "confiável" e que seja "a escolha do povo".

"No entanto, todos os indícios mostram o contrário", ressaltou.

Se for eleito, suas prioridades serão "governança e segurança", e em seguida o diálogo com os insurgentes.

"Milhares de pessoas que se juntaram aos talibãs não fizeram isso para desttruir o país, mas devido a outros problemas. É com estas pessoas que quero falar. Os que desejam continuar lutando deverão ser enfrentados e isolados", declarou.

O outro principal adversário de Karzai, Ashraf Ghani, também acusou o atual presidente de ter distribuído dinheiro e usado a máquina administrativa para conseguir sua reeleição.

"O quinto governo mais corrupto do mundo mostrou que, para satisfazer seu inalterável desejo de poder, violará todas as normais legais e constitucionais", declarou Ghani, ex-ministro das Finanças de Karzai, em um comunicado publicado nesta sexta.

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