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22/08/2009 - 11h35

Crescem especulações sobre segundo turno no Afeganistão

CABUL, Afeganistão, 22 Ago 2009 (AFP) - Os observadores da União Europeia (UE) consideraram neste sábado que as eleições afegãs não foram livres em todo o país, num momento em que crescem as especulações sobre um eventual segundo turno entre o favorito, o presidente Hamid Karzai, e seu principal adversário, Abdullah Abdullah.

"O que observamos de um modo geral foi considerado bom e justo, mas as eleições não foram livres em algumas partes do país por causa do terror", declarou Philippe Morillon, chefe da missão de 120 observadores europeus, em entrevista coletiva em Cabul.

Os parceiros internacionais do governo de Cabul elogiaram a segurança que prevaleceu durante as eleições de quinta-feira. Os rebeldes talibãs tinham ameaçado atacar os colégios eleitorais, mas o banho de sangue temido não ocorreu, apesar de diversos incidentes.

A missão europeia constatou que apesar das ameaças e da violência, "os cidadãos afegãos foram votar".

Saudando uma "vitória do povo afegão", Morillon destacou, porém, que "em algumas áreas do país, foi extremamente difícil votar" por causa da violência.

Ele não se pronunciou sobre a credibilidade das eleições. Os dirigentes internacionais também ficaram em silêncio sobre o assunto, na espera dos números de participação oficiais, que devem ser publicados dentro de alguns dias. Já os resultados definitivos das eleições não devem sair antes do dia 3 de setembro.

Num momento em que as acusações de fraude se multiplicam, o relatório da missão mencionou diversas irregularidades, principalmente na elaboração das listas eleitorais, como o fato de que "havia mais títulos de eleitores do que eleitores".

Em Bruxelas, a UE se disse preocupada com as informações de fraudes na eleição presidencial.

Os dirigentes europeus pediram moderação às duas partes. Sexta-feira, cada uma delas afirmou que seu candidato estava na liderança, alimentando especulações e elevando a tensão.

Enquanto muitos observadores apostavam antes da eleição numa vitória de Karzai no primeiro turno, a eventualidade de um segundo turno, com resultado incerto, está ganhando cada vez mais força.

A missão europeia destacou que o nível de participação foi "muito mais alto no norte do país", considerado mais favorável ao tadjique Abdullah, e "muito baixo no sul" pashtun de onde vem Hamid Karzai.

Diversas fontes, entre elas o próprio Abdullah, mencionaram graves irregularidades em favor do atual presidente na região de Kandahar, a maior cidade do sul do Afeganistão.

As reuniões entre diplomatas internacionais, candiatos e autoridades locais se multiplicaram nos últimos dias em Cabul.

Sexta-feira, o emissário americano para o Afeganistão, Richard Holbrooke, que representa o principal apoio político e militar do governo afegão, se encontrou separadamente com Karzai e Abdullah.

"Resta saber agora se Karzai, que controla a Comissão Eleitoral afegã, vai aceitar um segundo turno. Este foi um dos assuntos discutidos durante o encontro com Holbrooke", declarou à AFP um diplomata, que não quis ser identificado.

A UE conclamou "todas as partes a recorrer unicamente a meios legais e às instituições nacionais apropriadas para resolver divergências e queixas" sobre as eleições.

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