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24/08/2009 - 20h03

EUA escolhem promotor para investigar interrogatórios da CIA

WASHINGTON, EUA, 24 Ago 2009 (AFP) - O procurador-geral dos Estados Unidos designou nesta segunda-feira um promotor especial para investigar os métodos violentos utilizados pela CIA nos interrogatórios antiterroristas, em meio a novas revelações de abusos.

"Concluí que as informações disponíveis justificam a abertura de uma investigação preliminar para saber se as leis federais foram violadas durante os interrogatórios de alguns detidos fora dos Estados Unidos", afirmou o procurador-geral Eric Holder.

Holder acrescentou que decidiu confiar esta "investigação preliminar" ao promotor John Durham, um funcionário de carreira.

John Durham já havia sido encarregado de investigar a destruição pela CIA de 92 vídeos contendo interrogatórios de prisioneiros.

Durham fará as recomendações quanto a uma eventual necessidade de ampliar as investigações, assegurou o procurador.

Nove senadores republicanos já se disseram "profundamente decepcionados" com esta decisão.

Foi a leitura de um relatório do inspetor-geral da CIA, datando de 2004, com extratos publicados nesta segunda-feira, que convenceu o procurador-geral a abrir vários dossiês sobre a violência cometida contra pessoas detidas e que seus predecessores haviam mandado arquivar.

O relatório narra como os agentes da CIA ameaçaram Khaled Sheikh Mohammed, considerado o cérebro dos atentados do 11 de Setembro: matar seus filhos se ele não falasse.

Detalha igualmente como o principal suspeito no atentado contra o navio americano USS Cole em 2000, Abdel Rahim al-Nachiri, foi ameaçado com um revólver e, depois, com uma furadeira elétrica ligada durante os interrogatórios; os tradutores das perguntas que lhe eram dirigidas também davam a entender que poderiam violar sua mãe na sua frente.

Segundo o relatório, imitações de execução sumária figuravam também no leque de métodos de interrogatórios unanimente condenados nesta segunda-feira pelas organizações de defesa dos direitos do Homem.

"Técnicas de interrogatório e de detenção não autorizadas, improvisadas e ilegais foram utilizadas", concluiu o inspetor-geral, precisando que "agentes estão a par de métodos de interrogatórios fora ou além dos limites fixados" por textos regulamentares redigidos pela secretaria de Justiça.

Um pouco mais cedo nesta segunda-feira, funcionários de alto escalão do governo anunciaram que o presidente Barack Obama aprovou a criação de uma equipe de elite subordinada à Casa Branca encarregada de interrogar suspeitos de terrorismo, em uma clara mudança tática em relação às políticas da "guerra contra o terror" de seu antecessor George W. Bush.

A Casa Branca indicou hoje que vai tirar da CIA a função de extrair informações destes suspeitos, já que a nova equipe trabalhará no FBI, sob ordens diretas do Conselho Nacional de Segurança.

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