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07/12/2009 - 14h37

O criador do WikiLeaks, entre a sombra e a busca pela verdade

LONDRES, 7 dez 2010 (AFP) -Julian Assange, cuja prisão por suspeita de estupro nesta terça-feira acontece dez dias depois do início da divulgação de documentos diplomáticos confidenciais dos Estados Unidos no site WikiLeaks, do qual é fundador, se apresenta como um profeta da transparência, mas mantém zonas obscuras sobre sua própria vida.

Fundador, porta-voz e figura emblemática do site, especializado em divulgar documentos secretos, o australiano de 39 anos que no início do ano era praticamente desconhecido, se tornou em poucos meses uma das pessoas mais famosas do mundo, o único rosto visível da máquina de vazamentos WikiLeaks.

"Queremos três coisas: libertar a imprensa, revelar os abusos e salvaguardar documentos históricos", explicou em agosto à AFP, durante uma de suas poucas aparições públicas.

Assange tranformou-se no homem que fez tremer o Pentágono, que revelou os segredos mais bem guardados do mundo. No entanto, durante todo este tempo manteve também um grande mistério sobre sua própria história. Até pouco tempo, negava-se a dizer a data de seu nascimento, mas a Interpol se encarregou de vazar esta informação: Assange nasceu em 3 de julho de 1971.

"Estamos diante de organizações que não obedecem a regras. Estamos diante de agências de inteligência", afirma Assange, que vê o WikiLeaks como "a agência de inteligência do povo", com bases escondidas em um labirinto de servidores da internet.

Nascido em Magnetic Island, nordeste da Austrália, Assange teve uma infância movimentada, tendo passado por 37 escolas, segundo contou à imprensa australiana.

Na adolescência, Assange destacou-se como hacker até ser descoberto pela polícia de Melbourne. Para escapar da justiça, pagou uma multa e jurou que manteria uma boa conduta.

O hacker arrependido foi depois "conselheiro de segurança, fundador de uma das primeiras companhias de serviços de informática da Austrália, assessor tecnológico, repórter, co-autor de um livro", sempre de acordo com o próprio Assange, que segundo a mídia australiana é pai de um rapaz de 20 anos chamado Daniel.

Em 2006 fundou o Wikileaks, com "umas dez pessoas vindas do ramo dos direitos humanos, da imprensa e da alta tecnologia".

Embora o site tenha se tornado conhecido em pouco tempo, publicando suas primeiras informações confidenciais, Assange não tinha alcançado a fama até este ano, quando a página provocou a ira do governo americano com três grandes vazamentos.

Os mais de 250.000 documentos diplomáticos americanos, cuja publicação começou no último domingo, somam-se aos centenas de milhares de arquivos secretos do exército americano sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, que vieram a público em julho e outubro, respectivamente.

À frente do WikiLeaks, Assange leva uma vida digna de um romance de espionagem, saltando de país em país, abrigando-se na casa de amigos ou apoiadores, negando-se a dizer de onde vem e para onde vai, mudando com frequência seus números de telefone - que praticamente não divulga.

Alto, magro e sempre com um sorriso irônico no rosto, Assange pesa cada palavra de suas raras entrevistas com uma lenta e monocórdia, às vezes difícil de compreender.

No meio do ano, porém, começaram a surgir dificuldades. Durante uma passagem pela Suécia, em agosto, duas mulheres o acusaram de estupro e assédio sexual.

A investigação demorou, mas em meados de novembro a Suécia - que negou a ele um visto de residência - emitiu um mandado internacional de prisão contra ele para interrogá-lo acerca do caso.

Os problemas também passaram a vir do interior do WikiLeaks. No fim de setembro, um porta-voz da organização, Daniel Domscheit-Berg, denunciou ruidosamente "o autoritarismo" de Assange. Pouco depois, o fundador do site brigou com outro apoio, a deputada islandesa Birgitta Jonsdottir.

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