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15/12/2009 - 15h07

Violências em Atenas durante manifestações contra medidas de austeridades

ATENAS, 15 dez 2010 (AFP) -Um deputado foi agredido pela multidão nesta quarta-feira em Atenas durante uma manifestação cheia de incidentes violentos e que reuniu milhares de pessoas na Grécia contra as reduções salariais e as novas medidas de austeridade previstas para 2011.

Os confrontos ocorreram entre a polícia e centenas de militantes de extrema-esquerda e anarquistas não muito longe do Parlamento grego, em pleno centro da capital, em meio as nuvens de fumaça de gás lacrimogêneo e fragmentos do mármore branco utilizados na pavimentação das calçadas e que eram arremessados pelos manifestantes.

Os militantes igualmente colocaram fogo em carros e motos e destruíram bens públicos, constataram jornalistas da AFP.

Segundo a polícia, seis veículos da força pública foram incendiados.

O país enfrenta desde meia-noite uma greve geral de 24 horas que afeta os transportes, escolas, hospitais e bancos.

Um deputado e ex-ministro de direita, Costis Hadzidakis, foi agredido por manifestantes, antes de ser levado para um abrigo pelas forças de ordem enquanto que as pessoas gritavam "ladrões, ladrões" em frente ao Parlamento.

Ao ser contatado pela AFP, ele informou que passava "bem". As fotos da imprensa que mostram o deputado com o rosto ensanguentado "fizeram o incidente parecer mais sério do que realmente era", explicou.

No total, cerca de 20 mil pessoas participaram da passeata na capital, segundo a polícia, assim como em Salônica, segundo a imprensa local.

Em Atenas, a entrada do Banco Central foi pichada com tinta vermelha. Os painéis de madeira montados como barreiras na maioria das lojas do centro da cidade também foram grafitados, constatou uma jornalista.

A faixa da principal passeata anunciava: "Basta, não aguentamos mais". Entre os slogans, ouvia-se principalmente ataques contra a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) que reivindicaram novas medidas de austeridade para o orçamento de 2011 para continuar a estabilização econômica do país em estado de quase falência desde a primavera e que ainda está longe de chegar a um fim.

"A história é escrita nas ruas: FMI-UE, vocês vão ver", indicava uma faixa, enquanto outra proclamava "A baixo a Junta", fazendo um paralelo com a ditadura militar da Grécia.

O chefe do FMI Dominique Strauss-Kahn defendeu, por sua vez, uma continuação das reformas lançadas em 2010, em uma entrevista publicada em inglês pelo jornal Khathimerini. "O que é importante agora é apoiar o esforço pelas reformas e atingir o verdadeiro potencial do país", disse.

Nas manifestações, as pessoas criticavam as leis que acabam de ser votadas no Parlamento, durante a noite, e que liberaliza o mercado de trabalho e permite reduções salariais no setor privado e nas empresas públicas, após as medidas decididas para os funcionários públicos.

Para Ellada Christodoulou, 50 anos, advogado, "toda a população grega deve se levantar, já que isso se trata de uma suspensão do direito trabalhista". "Esta não é uma luta apenas da Grécia, mas do mundo inteiro", acrescentou.

As reformas são reivindicadas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional como pré-requisito do desbloqueio previsto para fevereiro da quarta fatia de 15 bilhões de euros, de um total de 110 bilhões, concedidos ao país em maio.

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