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17/12/2009 - 12h11

EUA prometem US$ 100 bi, mas cobram transparência dos emergentes

COPENHAGUE, 17 dez 2009 (AFP) - A secretária de Estado americana anunciou nesta quinta-feira, em Copenhague, que os Estados Unidos vão contribuir com 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para um fundo que ajude os países pobres a lidar com a mudança climática, mas cobrou das grandes economias emergentes transparência de seus compromissos nesse sentido.

"Em muitas ocasiões no passado, todas as principais economias se comprometeram com a transparência. Agora que estamos tentando definir o que esta transparência significa e como podemos implementá-la e observá-la, ocorre uma marcha a ré nessa transparência e isso, para nós, é algo que prejudica todo o esforço com que estamos comprometidos", declarou a chanceler americana.

"Se não houver um compromisso sobre a transparência, consideramos que não pode haver acordo. É preciso ter um compromisso a respeito da transparência", acrescentou.

Os Estados Unidos estão preocupados em poder verificar, medir e controlar os esforços iniciados pela China em termos de mudança climática.

Hillary anunciou que seu país vai contribuir com 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para um fundo que ajude os países pobres a lidar com a mudança climática.

O valor também é considerado necessário pela Comissão Europeia para responder às necessidades de adaptação dos países em desenvolvimento aos impactos da mudança climática e a atenuação de suas emissões.

No entanto, a perspectiva de um acordo ambicioso para combater as mudanças climáticas parece comprometida nas últimas horas da Conferência de Copenhague, que chegará ao fim na sexta-feira com a presença de 120 chefes de Estado e de Governo.

A União Europeia se declarou preocupada com a falta de progressos nas negociações e pediu a todas as partes que deem mostras de flexibilidade para permitir o acordo.

"Insistimos junto a todas as partes que cheguem com urgência ao limite máximo de sua flexibilidade para que as negociações progridam. A UE fez propostas concretas e mantém sua oferta condicional de fazer mais se os demais, principalmente os grandes poluidores, melhorarem igualmente a oferta", afirma um comunicado conjunto da presidência sueca da UE e da Comissão Europeia.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva pediu que os líderes mundiais não saiam de Copenhague sem um compromisso porque um fracasso da reunião será tão grave quanto a escravidão e o Holocausto, segundo declarações feitas à margem da cúpula.

"É preciso impedir que os líderes deixem Copenhague sem o compromisso necessário para salvar nosso planeta", afirmou a ex-ministra.

"Um fracasso ao final da rodada de negociações será tão grave quanto a escravidão ou Holocausto", acrescentou a ecologista e possível candidata à presidência brasileira.

Como a escravidão e o Holocausto, "os perigos da mudança climática são fatos tão graves que não podem ser castigados ou perdoados", insistiu.

"Se formos embora de Copenhague sem acordo, será algo da mesma ordem que esses males, o mal absoluto", concluiu.

O presidente do México também reclamou: "Passou da hora dos pretextos, chegou a hora dos compromissos e da ação".

As negociações para limitar o aumento da temperatura média di planeta a dois graus Celsius, paralisadas há vários dias, foram retomadas ao meio-dia desta quinta-feira.

Outro tema nas discussões é o custo das medidas necessárias para ajudar os países em desenvolvimento a adaptar-se aos efeitos do aquecimento global.

Neste sentido, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, afirmou que não pode aceitar um acordo sobre o aquecimento global que impeça milhões de pessoas de sair da pobreza.

"Não se pode enfrentar o aquecimento global tornando perpétua a pobreza dos países emergentes", declarou.

Poucos dias antes da conferência, a Índia anunciou uma meta de redução das emissões de dióxido de carbono de 20 a 25% até 2020, em comparação a 2005. Mas o país, um dos mais poluentes do planeta, rejeitou qualquer compromisso vinculante de redução das emissões carbônicas.

Para o governo da nação de 1,1 bilhão de habitantes, os países ricos são historicamente responsáveis pelo aquecimento global e devem financiar os esforços dos países em desenvolvimento.

A China, que não está submetida a objetivos vinculantes de redução das emissões de gases do efeito estufa pelo Protocolo de Kyoto, também se comprometeu a reduzir a intensidade carbônica em 40 a 45% até 2020, na comparação com 2005.

"Não é a negociação dos sonhos do ponto de vista científico", resumiu o climatologista francês Jean Jousel, vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

"Estamos longe do necessário", completou, ao comentar os compromissos de redução das emissões de gases poluentes dos países ricos, muito abaixo do recomendado pelos cientistas.

"Os últimos dois dias serão importantes, mas vemos que há um certo pessimismo", concluiu.

Na manhã de sexta-feira, um número limitado de chefes de Estado, representantes de todos os grupos e de todas as regiões, se reunirá com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, segundo o programa oficial.

A partir das 14H00 GMT (12H00 de Brasília), os líderes entrarão em sessão plenária para a aprovação das conclusões de Copenhague.

A ONU impôs restrições draconianas de acesso ao Bella Center, sede da conferência, pela movimentação provocada pela chegada dos chefes de Estado e de Governo.

Por isto, membros das organizações ecológicas Greenpeace e WWF foram desalojados do centro da conferencia, onde pretendiam passar a noite, e o espaço reservado às ONGs estava quase deserto nesta quinta-feira.

"Como podem decidir sem nós?", questionam cartazes fixados nos vários estandes abandonados do amplo corredor reservado às ONGs e associações humanitárias da ONU.

"A sociedade civil foi afastada das negociações", afirma outro cartaz.

O número de entradas entregues às ONGs, que caiu de 7.000 a 1.000 entre segunda-feira e quarta-feira, viu uma nova redução de 300 nesta quinta-feira.

A maioria dos membros do Greenpeace, da WWF, dos Amigos da Terra, da 350.org e da Avaaz, as principais ONGs em Copenhague, foi obrigada a se retirar do centro de convenções.

Novos locais foram criados para receber as ONGs no fórum alternativo "Klimaforum" no centro de Copenhague, que tem uma conexão por TV com o Bella Center.

Na sexta-feira, apenas 90 credenciais serão distribuídas às ONGs, que denunciam um "Passgate", um escândalo das credenciais.

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