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20/12/2009 - 19h28

EUA e UE condenam repressão em Belarus após reeleição de Lukashenko

MINSK , 20 dez 2010 (AFP) -Estados Unidos e União Europeia condenaram nesta segunda-feira o uso da força contra a oposição em Belarus, após a prisão, no domingo, de sete candidatos à presidência e centenas de manifestantes que denunciavam fraudes na reeleição de Alexandre Lukashenko.

O autoritário presidente da antiga república soviética, no poder há 16 anos, obteve quase 80% dos votos no primeiro turno, de acordo com os resultados publicados pela Comissão Eleitoral. O órgão proclamou a vitória de Lukashenko e anunciou a cerimônia de posse para antes de 19 de fevereiro.

Sete dos nove candidatos da oposição foram detidos na noite de domingo, após a dispersão de milhares de manifestantes que denunciavam uma fraude generalizada no pleito.

"Estamos particularmente preocupados com o uso excessivo da violência por parte das autoridades, especialmente contra vários candidatos às eleições que foram surrados e detidos, assim como jornalistas e membros da sociedade civil", afirmou a embaixada dos Estados Unidos em Misnk.

"Fazemos um apelo ao governo de Belarus para que demonstre comedimento durante a continuação do processo eleitoral, que não pode ser marcado pelas intimidações nem pela violência", indica o comunicado da embaixada.

A diplomacia americana mostrou-se especialmente preocupada com o candidato Vladimir Nekliaev, que foi "levado à força de um hospital de Minsk por pessoas desconhecidas". "Exigimos seu retorno são e salvo, sem demora", afirma a nota.

Por sua parte, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, condenou a repressão contra a oposição e pediu a libertação "imediata" de todos os opositores detidos, declarou sua porta-voz, Maja Kocijancik.

Além de Nekliaev, foram presos no domingo os candidatos Andrei Sanikov, Nikolai Statkevich, Rygor Kastusev, Vitali Rymachevski, Ales Mijalevich e Dimitri Uss. Centenas de pessoas foram detidas pelas forças de segurança, incluindo uma jornalista da AFP, Maria Antonova.

Iaroslav Romanchuk, um dos candidatos que não foi detido, fez um apelo à comunidade internacional para "que não seja indiferente à situação em Belarus".

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que enviou uma missão de observação a Minsk, disse nesta segunda-feira que Belarus está muito longe de ter eleições livres, estimando que "ainda há um longo caminho a percorrer".

"Estas eleições não permitiram que Belarus tivesse o novo começo de que precisava", lamentou em um comunicado Tony Loyd, chefe da missão de observadores.

"Faltou transparência na contagem de votos", destacou.

Além disso, "a noite das eleições foi perturbada pela prisão da maioria dos candidatos à presidência, de centenas de militantes, jornalistas e representantes da sociedade civil".

"Esperava que, desta vez, pudéssemos fazer uma avaliação positiva. Infelizmente, não foi possível devido a uma contagem de votos fraudulenta e à resposta brutal contra as manifestações", afirmou por sua vez o embaixador Geert-Hinrich Ahrens, alto funcionário da missão da OCDE.

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