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31/12/2009 - 19h58

Berlusconi promete 'batalha' pela extradição de Battisti

ROMA, 31 dez 2010 (AFP) -O chefe de governo italiano, Silvio Berlusconi, comprometeu-se nesta sexta-feira a dar prosseguimento à "batalha" para obter a extradição do ex-militante de extrema-esquerda Cesare Battisti, qualificando a recusa do presidente Lula de "contrária ao senso mais elementar de justiça".

"Expresso às famílias das vítimas toda a minha solidariedade e me comprometo a dar prosseguimento à batalha para que Battisti seja entregue à justiça italiana", afirmou Berlusconi em comunicado. "O caso não está encerrado, muito ao contrário: a Itália não se rende e fará valer seus próprios direitos."

O ministério italiano das Relações Exteriores anunciou que chamará para consultas seu embaixador no Brasil, Gherardo La Francesca.

"Manifesto minha profunda amargura e desgosto em relação à decisão do presidente Lula de recusar a extradição de Cesare Battisti, apesar das requisições insistentes e das solicitações em todos os níveis por parte da Itália. Trata-se de uma escolha contrária ao mais elementar senso de justiça", acrescentou Berlusconi.

Já o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, pediu ao embaixador italiano para entregar à nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff, uma mensagem de seu governo sobre o caso.

A nota também "anuncia a firme determinação da Itália de recorrer a todas as vias legais possíveis para obter a extradição de Battisti e a profunda esperança de que a futura presidente possa rever a decisão de seu predecessor, conformando-se à sentença do Supremo Tribunal brasileiro".

Antes disso, o ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa declarou que o país considerou "injusta e gravemente ofensiva" a decisão do presidente brasileiro.

"O fato de Lula ter esperado o último dia de seu mandato para tomar a decisão é sinônimo de falta de coragem", considerou o ministro da Defesa italiano no canal Sky TG24.

O conflito diplomático será o primeiro desafio que Dilma Rousseff terá que resolver depois de tomar posse, no sábado.

Battisti, 56 anos, foi membro do grupúsculo de extrema esquerda italiano Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), que matou várias pessoas na década de 1970.

Embora sempre tenha alegado inocência das acusações de assassinato e afirme ser vítima de "perseguição política" na Itália, tem sua extradição exigida com veemência por Roma, onde foi condenado à revelia, em 1993, à prisão perpétua por quatro mortes e por cumplicidade em assassinatos cometidos em 1978 e 1979, tendo como testemunha de acusação o líder deste grupo que obteve benefícios por sua colaboração com a Justiça.

Battisti acabou sendo condenado a quatro penas de prisão perpétua, uma por cada morte.

Os familiares das vítimas assassinadas pelo PAC reagiram com repulsa e frustração à decisão de Lula.

Alessandro Santoro, cujo pai foi assassinado em Udine (norte), em 1978, afirmou ter ficado "sem palavras", e qualificou a decisão de "escândalo".

"Com esta decisão, o presidente Lula se revelou um cúmplice de Battisti, um cúmplice de assassinato!", clamou Adriano Sabbadin, filho de outra vítima, morta em 1979.

"Minha família e eu teríamos sido felizes se (Battisti) mostrasse arrependimento, mas isto nunca ocorreu", acrescentou Sabbadin.

Alberto Torregiani, filho de um joalheiro morto em Milão em 1979 por um comando do PAC, manifestou que o tempo da diplomacia acabou. "De agora em diante, usaremos mão-de-ferro".

Todos os partidos italianos condenaram a decisão do presidente brasileiro. A Liga Norte (extrema direita) chegou a convocar, inclusive, um "boicote total" ao Brasil.

Já na França, os defensores franceses de Cesare Battisti, que viveu no país de 1990 a 2004, saudaram a decisão de Lula de não extraditar seu antigo cliente para a Itália.

Eric Turcon, um dos advogados de Battisti considerou a decisão "justa, porque não se pode deixar preso alguém, durante 30 anos, sem ter dado a ele a chance se se explicar ante os juízes - é o destino que lhe estaria reservado", declarou à AFP.

"Alegro-me da sabedoria do presidente Lula. É uma decisão estudada, de um homem que dedicou seu tempo a ler o dossiê, a verificar numerosas irregularidades, afastando-se da dimensão exageradamente passional" do caso, escreveu por sua vez o filósofo francês Bernard-Henri Lévy em seu blog na internet "La règle du jeu".

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