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31/12/2009 - 14h55

Battisti: Berlusconi compromete-se a continuar "batalha"; franceses aplaudem decisão

ROMA, 31 dez 2010 (AFP) -O chefe de governo italiano, Silvio Berlusconi, comprometeu-se nesta sexta-feira a dar prosseguimento à "batalha" para obter a extradição do ex-militante de extrema-esquerda Cesare Battisti, qualificando a recusa do presidente Lula de "contrária ao senso mais elementar de justiça".

"Expresso às famílias das vítimas toda a minha solidariedade e me comprometo a dar prosseguimento à batalha para que Battisti seja entregue à justiça italiana", afirmou Berlusconi em comunicado. "O caso não está encerrado, muito ao contrário: a Itália não se rende e fará valer seus próprios direitos."

Na França, Eric Turcon, um dos advogados de Battisti considerou a decisão "justa, porque não se pode deixar preso alguém, durante 30 anos, sem ter dado a ele a chance se se explicar ante os juízes - é o destino que lhe estaria reservado", declarou à AFP.

O ministério italiano das Relações Exteriores anunciou que chamaria para consultas seu embaixador no Brasil, Gherardo La Francesca.

"Exprimo minha profunda amargura e desgosto em relação à decisão do presidente Lula de recusar a extradição de Cesare Battisti apesar das requisições insistentes e das solicitações em todos os níveis por parte da Itália. Trata-se de uma escolha contrária ao mais elementar senso de justiça", acrescentou Berlusconi.

Já o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, pediu ao embaixador italiano para entregar à futura presidente do Brasil Dilma Rousseff, a partir da posse no dia 1º de janeiro, uma mensagem de seu governo sobre o caso.

A nota também "anuncia a firme determinação da Itália de recorrer a todas as vias legais possíveis para obter a extradição de Battisti e a profunda esperança de que a futura presidente possa rever a decisão de seu predecessor, conformando-se à sentença do Supremo Tribunal brasileiro".

Antes disso, o ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa declarou que o país considerou "injusta e gravemente ofensiva" a decisão do presidente brasileiro.

A extradição de Battisti, 56 anos, é exigida com veemência por Roma, onde foi condenado à revelia, em 1993, à prisão perpétua por quatro mortes e por cumplicidade em assassinatos cometidos em 1978 e 1979, crimes dos quais se diz inocente.

"O fato de Lula ter esperado o último dia de seu mandato para tomar a decisão é sinônimo de falta de coragem", considerou o ministro da Defesa italiano no canal Sky TG24.

Em Paris, os defensores franceses de Cesare Battisti, que viveu na França de 1990 a 2004, receberam com felicitações nesta sexta-feira a decisão do presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva de não extraditá-lo para a Itália.

"Esperamos conhecer a motivação (desta decisão) muito interessante", acrescentou o advogado, saudando de passagem a ação da escritora francesa Fred Vargas, "que lutou (...) para atrair a atenção do mundo, e dos brasileiros em particular, para a injustiça da situação".

Fred Vargas é pseudônimo de Frédérique Audoin-Rouzeau (Paris, 1957), uma historiadora, arqueóloga e autora de sucesso de romances policiais que apoiou a causa de Cesare Battisti quando vivia na França, ameaçado de extradição para a Itália.

"Alegro-me da sabedoria do presidente Lula. É uma decisão estudada, de um homem que dedicou seu tempo a ler o dossiê, a verificar numerosas irregularidades, afastando-se da dimensão exageradamente passional" do caso, escreveu por sua vez o filósofo francês Bernard-Henri Lévy em seu blog na internet "La règle du jeu".

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