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05/01/2010 - 13h33

China quer comprar mais papéis da dívida espanhola e apoiar Grécia e Portugal

PEQUIM, 5 Jan 2011 (AFP) -A China expressou vontade de comprar mais papéis da dívida pública espanhola, durante visita a Madri do vice-primeiro-ministro Li Keqiang, prometendo apoio semelhante a Portugal e Grécia.

A iniciativa, segundo analistas, reflete interesses estratégicos e econômicos de Pequim mas que, na realidade, não representa de nenhuma maneira uma solução para a crise das dívidas soberanas na Europa.

Keqiang afirmou que seu país "apoia as medidas adotadas pela Espanha de reajuste econômico e financeiero", o que se traduz pela compra de sua dívida pela China.

A visita do dirigente chinês à Espanha acontece depois de semanas de temores do mercado sobre a capacidade da Espanha fazer frente à própria dívida e sobre um eventual plano de resgate como o da Grécia e Irlanda para cobrir seus déficts.

Madri e Pequim já assinaram anteriormente 15 acordos institucionais e comerciais, além de uma cooperação na América Latina, através do BBVA e o Banco de Desenvolvimento da China.

A China já era um importante comprador da dívida pública espanhola e não reduziu suas aquisições. "Compraremos mais (obrigações espanholas), dependendo das condições de mercado", assegurou Li, citado pela agência Xinhua.

Pequim já havia prometido ajudar a Grécia e Portugal, também através da compra de obrigações de Estado - uma decisão que, segundo os técnicos, poderia aliviar as dificuldades da Zona do Euro, mas apenas momentaneamente.

"A curto prazo, a China contenta-se em transmitir a imagem do príncipe que aparece para socorrer a Europa, e isso pode sustentar um pouco o mercado", declarou à AFP Mark Williams, do gabinete de consultoria Capital Economics.

"Mas os problemas europeus são estruturais, não algo que China possa necessariamente resolver, embora consiga tampar buracos", acrescentou.

A declaração do vice-primeiro-ministro chinês, "apesar de ajudar a gerar confiança, seguramente não modificará radicalmente os problemas fundamentales da Espanha", opinou por sua vez Alistair Thornton, do IHS Global Insight.

A China jamais revelou o montante de suas compras de obrigações de Estado europeias, uma informação que tampouco foi divulgada nem por Bruxelas nem pelos diferentes membros da União Europeia (UE).

A maioria das compras da dívida soberana teria sido feita, no entanto, dos países apontados como estáveis, especialmente Alemanha e França, segundo os especialistas.

Já os Estados Unidos, que publicam regularmente a lista de seus credores, apresentam a China em primeiro lugar, com mais de 900 bilhões de dólares em bônus do Tesouro.

"Estabilizar a economia europeia e o euro é do maior interesse da China", declarou à AFP Tao Dong, economista do Crédit Suisse First Boston em Hong Kong.

"Estrategicamente, também é importante para China reforçar sua relação com a Europa", acrescentou.

A China tenta transmitir imagem de uma potência responsável, mas busca investir no exterior para não inflar demasiado suas colossais reservas de divisas, que somavam 2,64 trilhões de dólares no final de setembro, e alimentar uma inflação.

O banco central chinês é obrigado a injetar na economia para cada dólar recebido um montante equivalente em iuanes.

As compras da dívida pública europeia, no entanto, não permitirão resolver os desequilíbrios no intercâmbio sino-europeu, advertiu Jonathan Holslag, do Instituto de Estudos da China contemporânea de Bruxelas (BICCS).

"Isto porque, enquanto a Europa prosseguir encerrada num círculo vicioso de medo, inércia e declive econômico, suas relações com a China serão marcadas por frustração e desconfiança", concluiu.

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