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13/01/2010 - 17h51

Tragédias no Haiti se devem a fatores geográficos e políticos

Os efeitos devastadores do terremoto no Haiti são o resultado de uma situação geográfica desfavorável e de mais de vinte anos de crises políticas que acabaram com a economia do país; não de uma suposta maldição, avaliaram especialistas. "É uma catástrofe terrível para o Haiti, que não precisava disso", resumiu nesta quarta-feira o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner. O país mais pobre do continente americano fica no Caribe, uma região turística conhecida por seu mar de águas quentes e cristalinas e suas praias paradisíacas. No entanto, o Haiti, que se situa sobre uma falha tectônica propícia a terremotos, também está numa posição geográfica desfavorável. "Fora as catástrofes naturais, os problemas do Haiti podem ser explicados pela história", declarou um alto diplomata francês, especialista neste país, que não quis ser identificado. Recusando a ideia de "ilha maldita", ele considera que a população deveria reagir acusando o governo de incompetência em vez de falar em "fatalidade". Após 30 anos de ditadura da família Duvalier, o país entrou em 1986 num período marcado por crises políticas e golpes de Estado sangrentos que se alastrou por 20 anos. As sanções internacionais impostas aos regimes políticos sucessivos pioraram ainda mais a situação, em um país onde as instituições são totalmente dominadas pela corrupção. O Haiti ficou cada vez mais pobre e a população, de 10 milhões de habitantes, desmatou morros e montanhas para fazer carvão, indispensável para cozinhar alimentos. Aliás, a primeira preocupação de 80% da população é conseguir fazer pelo menos uma refeição por dia. O desmatamento desenfreado aumentou ainda mais a vulnerabilidade do país, assolado frequentemente pelos furacões e ciclones que se formam no Atlântico entre junho e novembro. Em uma paisagem feita de morros e vales, fortes chuvas quase sempre provocam graves inundações. A capital, Porto Príncipe, é o melhor exemplo da inadaptação do país às intempéries. A cidade foi crescendo ao longo dos anos, com favelas cada vez maiores feitas de casas construídas às pressas com paredes de pedras e telhados de zinco. Estas casas edificadas nas encostas dos morros são literalmente varridas pelas chuvas e desabam como um castelo de cartas. Um terremoto como o de ontem tem as mesmas consequências. "Qualquer chuva na favela de Martissant provoca pelo menos dez mortos, e o problema piora a cada ano porque a montanha fica cada vez mais desestabilizada", explicou o diplomata. O Haiti ainda está sob assistência internacional, tanto financeira como política e diplomática. A ausência de um Estado forte favoreceu a explosão do tráfico de drogas, com o país servindo de ponte entre as nações produtoras de cocaína (Colômbia, Bolívia, Peru) e os Estados Unidos, maior consumidor mundial. Em 2008, após a passagem de ciclones mortíferos, o custo da reconstrução atingiu 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. "A ajuda internacional é uma parte ínfima" da quantia que seria necessária, lamentou uma fonte diplomática. Cerca de 100 ciclones, tempestades tropicais, inundações e deslizamentos assolaram o Haiti desde o início do século XX.

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