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14/01/2010 - 12h07

Ahmadinejad diz que físico nuclear foi assassinado por "método sionista"

O físico nuclear iraniano Masud Ali Mohammadi, morto na terça-feira em um atentado, foi assassinado por um "método sionista", declarou nesta quinta-feira o presidente Mahmud Ahmadinejad, citado pela agência Mehr.

"O método empregado (para assassinar Ali Mohammadi) é um método sionista", declarou Ahmadinejad, em um evento no sul do país. "Este método mostra o nível de ódio de nossos inimigos", acrescentou.

"Nossos inimigos não poderão privar o Irã da ciência eliminando nossos sábios", disse ainda.

"Esse professor era um professor hezbollahi (militante religioso), fiel, a serviço do povo, e era especializado nas ciências mais avançadas", concluiu.

Quase 10.000 pessoas que gritavam "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos" acompanharam nesta quinta-feira em Teerã o enterro de Ali Mohammadi, um renomado professor de física nuclear da Universidade de Teerã, que também trabalhava para a Guarda Revolucionária (Pasdaran, corpo de elite das Forças Armadas iranianas).

A procissão que acompanhou o corpo do cientista até o "imamzadeh" (santuário) do norte de Teerã onde foi sepultado gritou frases contra os "hipócritas", palavra que o governo utiliza para designar os Mujahedines do Povo, movimento opositor armado no exílio, também acusado de envolvimento no atentado.

Ele morreu na explosão de uma moto-bomba quando saía de casa na terça-feira passada.

O procurador-geral de Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi, anunciou que Mohamadi era especializado em energia nuclear e morreu quando entrava em um carro. A moto-bomba, que explodiu acionada por controle remoto, estava estacionada ao lado do veículo do professor.

Dolatabadi informou que uma investigação foi aberta para identificar os responsáveis e determinar as motivações do atentado.

O atentado, não reivindicado até o momento, foi atribuído aos serviços de inteligência israelense e americano por vários políticos e pela imprensa do Irã.

O canal Al-Alam chamou Masud Mohamadi de professor ligado aos ideais revolucionários que se tornou mártir, atribuindo o atentado a contrarrevolucionários, o que indica que a vítima estava vinculada ao poder e tinha funções políticas.

Alguns colegas, no entanto, destacam sua posição apolítica.

"Era um proeminente professor, mas não uma figura política. Não mantinha atividades políticas", destacou Ali Maghari, que dirige a faculdade de ciências da Universidade de Teerã, citado pela agência Mehr.

"Era um professor de física mundialmente conhecido e que publicou livros", acrescentou.

No entanto, o nome de Mohammadi aparece em uma lista de acadêmicos que apoiaram o líder da oposição Mir Hossein Moussavi na polêmica reeleição do conservador Mahmud Ahmadinejad.

Em compensação, a Al Alam identifica Mohammadi como um professor "hezbollahi", termo utilizado para designar quem apoia o regime iraniano.

"Este assassinato pode ter sido realizado pelos 'hipócritas' (os Mujahedines do Povo, grupo iraniano de oposição no exílio), ou planejado pelo regime sionista", afirmou Al-Alam.

Os Mujahedines e o governo dos Estados Unidos negaram qualquer responsabilidade no atentado.

Até o momento, a polícia iraniana não prendeu nenhuma pessoa relacionada com o ataque.

"Nossos serviços de inteligência e segurança estão buscando os que estão por trás desta explosão para julgá-los o mais rápido possível", declarou à AFP Ali Akbar Javanfekr, conselheiro do presidente Mahmud Ahmadinejad.

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