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14/01/2010 - 12h01

Catástrofe abala a frágil recuperação do Haiti

O terremoto que devastou o Haiti, deixando milhares de mortos, interrompe de forma dramática o frágil processo de recuperação iniciado há alguns anos, destacam os analistas.

"Não é apenas uma destruição sem precedentes. O terremoto paralisou bruscamente um bom começo", lamentou Bob Perito, coordenador dos programas de ajuda do Instituto Americano pela Paz (USIP).

O tremor, o pior em 200 anos na 'Isla Española', pode ter provocado mais de 100.000 mortos, antecipou o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive.

"Havia tanta esperança para o futuro do Haiti, uma esperança como não havia há anos, e a natureza acabou com ela", afirmou a secretária de Estado americana Hillary Clinton, que conhece bem o Haiti.

Seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, encabeça uma missão da ONU na ilha.

Segundo Perito, os haitianos sentiam que as coisas estavam melhorando depois de décadas de ditadura, instabilidade e violência política.

"A economia começava a registrar um pouco de crescimento, da ordem de 1 a 2% por ano. Os investimentos chegavam. Uma cadeia hoteleira decidiu construir na ilha. Havia também investimentos no setor têxtil", explicou.

Uma série de quatro furacões, em setembro de 2008, causou 800 mortos e danos de um bilhão de dólares. "Mas a ajuda internacional estava fluindo, com um compromisso forte para reconstruir o Haiti", afirmou.

O especialista teme que o terremoto venha a ter um impacto psicológico severo.

Por ora, a tragédia vai afetar a organização das eleições legislativas de fevereiro, e até mesmo a presidencial de 2011, comícios que já prometiam ser difíceis em um clima político sempre a ponto de pegar fogo.

"O Haiti é o país mais pobre da América. Isso implica que a gravidade da situação a longo prazo, como consequência do terremoto, dependerá muito diretamente do nível da destruição da infraestrutura", explica Phil Neiburg, analista de desastres naturais do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS), de Washington.

"Se os guindastes do porto foram destruídos, por exemplo, isso impedirá o descarregamento dos bancos por várias semanas", acrescentou.

Robert Maguire, especialista em Haiti da Universidade Trinity em Washington, também avalia que a "atenção às pessoas atingidas pelo terremoto vai ser o maior desafio dos próximos seis meses".

"Esta tragédia ilustra a necessidade de descentralizar mais o investimento e a população no Haiti, porque não se pode continuar amontoando as pessoas em Porto Príncipe em detrimento das zonas rurais descuidadas e sem investimentos agrícolas", explicou.

"Infelizmente, mudar essa situação custaria muito há alguns dias e custará ainda mais agora, depois do terremoto", indicou.

No entanto, Maguire espera que a assistência financeira internacional permitirá "ajudar as pessoas que quiserem deixar Porto Príncipe para reconstruir suas vidas".

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