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14/01/2010 - 06h48

Haiti recebe ajuda internacional após catástrofe

Porto Príncipe se transformou em um gigantesco cemitério e aguarda nesta quinta-feira a ajuda internacional, após o terremoto de terça-feira que segundo o governo do Haiti pode ter matado 100.000 pessoas. Centenas de milhares de pessoas passaram a segunda noite no relento, sem água nem luz em consequência do terremoto de 7,0 graus na escala Richter que devastou a capital do país mais pobre das Américas. Durante a madrugada, milhares de haitianos em pânico tentaram se refugiar em Petion-ville, subúrbio de Porto Príncipe, após um boato de tsunami. A pé ou em carros, milhares de pessoas seguiram para Kenscoff, a parte alta de Petion-ville. Com cobertores e crianças no colo, as pessoas tentavam abrir passagem nas ruas. "Algumas pessoas sentiram fortes tremores. Rapidamente fez muito frio e diziam que a água estava subindo", declarou à AFP uma mulher que seguia para Petion-ville. Alguns moradores afirmaram que a cidade costeira de Jacmel havia sido apagada do mapa por uma suposta onda gigante. Nenhum elemento concreto permitiu confirmar uma elevação das águas. Testemunhas afirmaram que o aeroporto de Porto Príncipe, que fica à beira do mar, não foi atingido pelo problema. "Alguns espalham estes boatos fantasiosos para facilitar o saque das casas", disse a gerente de um hotel que pediu para não ser identificada. No tremor de terça-feira, bairros inteiros, escolas, hospitais, o palácio presidencial, o Congresso e o prédio da ONU foram reduzidos a escombros. Sobreviventes andavam pelas ruas em busca de comida ou ajudavam a retirar escombros com as mãos para tentar resgatar pessoas presas. Muitos países e organizações humanitárias começaram a enviar alimentos, equipes de apoio, médicos e hospitais de campanha para atender as vítimas e resgatar vítimas presas nos escombros. O balanço de mortes ainda é impossível de calcular, mas o primeiro-ministro Jean Max Bellerive fez uma estimativa de mais de 100.000 falecidos. O presidente René Preval, que ao lado da esposa escapou do desabamento da residência oficial, citou milhares de mortos. O Brasil, que exerce o comando militar da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, deu início a uma ponte aérea e enviou o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O país preparou oito aviões com ajuda humanitária e liberou 15 milhões de dólares de ajuda ao Haiti. Até o momento foram confirmadas as mortes de 11 militares brasileiros e da pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, 75 anos, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança. O governo dos Estados Unidos, vários países da América Latina e da Europa, a Cruz Vermelha Internacional, a Secretaria Geral Iberoamericana, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciaram o envio de dinheiro, alimentos, voluntários, bombeiros, especialista e até cães farejadores para auxiliar nas buscas. A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, comparou a tragédia haitiana à tsunami, que no fim de 2004 matou 220.000 pessoas. "Isto vai ser um dos acontecimentos mais severos em termos de mortes nos últimos anos, pelo que podemos observar. O maremoto no Oceano Índico foi uma enorme tragédia, que deixou muitos mortos (...) E agora teremos muitos mortos também", declarou Hillary, que cancelou uma viagem ao continente asiático para acompanhar a situação. Um porta-aviões americano é esperado nesta quinta-feira em Porto Príncipe e o presidente Barack Obama determinou uma ação "rápida, ordenada e enérgica" para ajudar o Haiti. A Rússia anunciou o envio do primeiro avião com uma equipe de emergência e se comprometeu a enviar mais ajuda, incluindo um hospital de campanha. O governo da Austrália destinará 9,2 milhões de dólares ao Haiti, enquanto o Japão ofereceu US$ 5 milhões e o envio de produtos de primeira necessidade. O presidente da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, manifestou "a comoção e tristeza" dos africanos com a tragédia no Haiti. Já o ciclista americano Lance Armstrong prometeu a doação de 250.000 dólares para ajudar as vítimas do terremoto O sete vezes campeão da Volta da França se disse "profundamente triste" pelos haitianos e afirmou que a Livestrong (sua fundação de luta contra o câncer), vai entregar 250.000 dólares a diferentes organizações presentes no Haiti, entre elas a Fundação Clinton. Pelo menos 16 funcionários da ONU morreram e 56 ficaram feridos no desabamento da sede do organismo em Porto Príncipe, anunciou o secretário-geral Ban Ki-moon, que pretende viajar ao local da tragédia. Um dos problemas em Porto Príncipe é o fato das ruas estarem bloqueadas pelos escombros, o que dificulta o transporte dos feridos. As comunicações estão totalmente cortadas em um país com infraestrutura precária. O Banco Mundial anunciou que vai liberar 100 milhões de dólares adicionais ao Haiti, que tem a menor renda per cápita das Américas, com 80% dos quase nove milhões de habitantes vivendo abaixo da linha da pobreza. O Haiti sofreu uma série de tragédias nos últimos anos, como a passagem de vários furacões em 2008 que deixaram centenas de mortos.

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