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15/01/2010 - 11h22

China proíbe a realização do primeiro concurso de beleza gay

A polícia de Pequim impediu nesta sexta-feira a realização do primeiro concurso de beleza gay na China, no qual oito homens disputariam o título de "Mr. Gay", o que seria considerado um sinal de que a tolerância avança em um país em que a homossexualidade continua sendo ainda objeto de censura.

"O evento foi cancelado, acho que por causa da questão da homossexualidade", informou Wei Xiaogang, um dos membros do juri.

O vencedor do concurso de beleza gay representaria a China na competição mundial do "Mr Gay", que será realizado na Noruega no próximo mês.

"Se o vencedor for alguém viril, atraente e responsável, esta imagem vai ser boa para a sociedade", chegou a comentar Jiang Bo, de 29 anos, um dos participantes, natural da província de Sichuan (sudoeste), antes da competição ser proibida.

"Muita gente desconhece os homossexuais e acha que são homens afeminados. Isso não é verdade, há muitos gays que são muito viris e tão responsáveis como os heterossexuais", acrescentou.

A decisão de Jiang, membro da minoria étnica Tujia, foi um desafio pessoal, cujas consequências poderão ser importantes.

De fato, sua família não sabe ainda que ele é gay e ele esperava que os parentes não ficassem sabendo através de sua participação no concurso.

"Seria muito incômodo para toda minha família, que se veria desacredita por que seu filho é homossexual. Mas se descobrirem, não negarei. O destino decidirá".

Para Ben Zhang, organizador do "Mr Gay Chine", o objetivo do concurso era incentivar que todos que ainda não assumiram em público se sentissem melhor com sua sexualidade.

Apesar da vida dos gays ter melhorado nos últimos anos na China, principalmente nas grandes cidades, muitos deles continuam escondendo sua condição ou se casam por pressão de seus pais, uma situação agravada pela política chinesa do filho único.

Segundo especialistas chineses citados pelos meios de comunicação, existiriam na China cerca de 20 milhões de homens homossexuais e dez milhões de lésbicas.

Na China, a homossexualidade era crime até 1997 e foi considerada enfermidade mental até 2001. Desde então, passou a crescer em visibilidade na sociedade.

Em junho passado, aconteceu em Xangai o primeiro festival do orgulho gay, de maneira discreta e que teve alguns atos cancelados pelas autoridades.

No mês passado, o primeiro bar gay do país abriu suas portas em Dali (província de Yunnan, sudoeste), com o apoio do governo e cujo objetivo é promover os esforços de prevenção da Aids.

Esta semana, o respeito aos direitos gays registrou um novo avanço na China, onde o jornal oficial China Daily publicou na primeira página uma foto do primeiro casamento homossexual realizado no país.

A união de Zeng Anquan, de 45 anos, e Pan Wenjie, de 27, aconteceu em 3 de janeiro em um bar gay da cidade de Chengdu (sudoeste), e tratou-se de um casamento simbólico, já que a China não reconhece o matrimônio homossexual.

"Já não temos que nos esconder. Este é o dia mais bonito de minha vida", afirmou Zeng Anquan ao jornal, acrescentando que milhares de homossexuais se casam todos os anos em outros países do mundo. "Por que não nós?", questionou.

No entanto, os preconceitos persistem na China e as famílias dos noivos se negaram a assistir a cerimônia.

"Minha irmã me advertiu que, se eu não deixasse Pan, ela deixaria de me considerar irmão. Centenas de amigos e parentes me ligaram para dizer que se envergonhavam de mim", contou Zeng.

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