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15/01/2010 - 15h12

Demora na chegada de ajuda aumenta a tensão e o desespero no Haiti

Raiva e desespero tomavam conta nesta sexta-feira da população haitiana que passou por mais uma jornada de caos, três dias após o terremoto, à espera de uma ajuda internacional que chega lentamente devido às dificuldades logísticas.

Segundo a Cruz Vermelha, entre 40.000 e 50.000 pessoas morreram no terremoto devastador de terça-feira.

Nas ruas da capital, Porto Príncipe, as pessoas atingidas perambulam em meio às ruínas, à desordem e à podridão dos corpos, algo que ficou ainda mais insuportável por causa do calor tropical que domina na ilha.

Desorganizados, sem material, sem treinamento, os voluntários não acreditam em milagres, enquanto que o tempo urge para o resgate de sobreviventes.

"Elas vão morrer, elas vão morrer", se lamenta Jean Rald Rocher, 30 anos, vasculhando os escombros de uma loja da capital, onde duas mulheres soltavam gemidos fracos.

Trezentas mil pessoas, segundo uma estimativa da ONU, estão desabrigadas apenas na capital, uma cidade de 2,8 milhões de habitantes, onde se calcula que 10% das moradias foram destruídas. Ainda de acordo com a ONU, 3,5 milhões de pessoas viviam na região mais atingida pelo tremor de terra, Porto Príncipe e imediações.

Cerca de trinta países já participam das operações de ajuda no local, segundo o Departamento de Estado americano, e a ONU anunciou na quarta-feira que havia recebido 268,5 milhões de dólares em promessas de ajuda internacional.

Mas as dificuldades na área são imensas. O aeroporto de Porto Príncipe está semi-interditado. As comunicações estão em estado precário e os deslocamentos são difíceis nas vias destruídas ou bloqueadas.

O desmantelamento das estruturas locais e a ameaça de saques se somam aos obstáculos logísticos. O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, que pretende distribuir uma ajuda de urgência a 2 milhões de pessoas afetadas, anunciou nesta sexta-feira que seus entrepostos em Porto Príncipe tinham sido saqueados.

No campo diplomático, os Estados Unidos anunciaram que nesta sexta-feira chegaram a um acordo com as autoridades cubanas para o sobrevoo do espaço aéreo de Cuba, o que deverá permitir o estabelecimento de uma ponte aérea, acelerando a chegada de socorro.

Um porta-aviões americano de propulsão nuclear, o USS Carl Vinson, chegou á região nesta sexta-feira, segundo o chefe das operações navais da Marinha dos EUA, almirante Gary Roughead.

Essa embarcação, que possui um sistema de purificação de água, dezenas de leitos e três salas de cirurgia, deve servir de base flutuante para os helicópteros, um elemento do aparato de socorro essencial para diminuir a sobrecarga no aeroporto.

Nos locais atingidos, diversas equipes de socorristas provenientes de vários países realizam um árduo trabalho na busca por sobreviventes sob os escombros.

Nos destroços do hotel Montana, em Porto Príncipe, os socorristas franceses salvaram na quinta-feira sete norte-americanos e uma haitiana, enquanto que os resgatistas norte-americanos salvaram uma francesa.

A insegurança é um dos principais problemas para as equipes de socorro. "Há saques e pessoas armadas, porque este é um país muito pobre e elas estão desesperadas", afirmou Delfin Antonio Rodriguez, chefe das operações da Defesa Civil dominicana.

De 40.000 a 50.000 pessoas podem ter morrido, de acordo com uma estimativa da Federação Internacional da Cruz Vermelha.

"Nas últimas horas, 7.000 pessoas foram enterradas", declarou na quinta-feira à noite o primeiro-ministro peruano Velasquez Quesquen do aeroporto de Porto Príncipe, de onde coordena a ajuda de seu país, após ter se reunido com o presidente haitiano René Préval.

Os corpos permanecem espalhados pelas ruas. "Passamos o dia recolhendo corpos. Há tantos corpos nas ruas que os necrotérios estão lotados, os cemitérios estão lotados", disse o cantor americano-haitiano Wyclef Jean, que foi ajudar seus compatriotas.

A Interpol anunciou que na próxima segunda enviará uma equipe de especialistas em identificação de vítimas de catástrofes.

Já o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, no exílio na África do Sul, disse nesta sexta-feira que deseja retornar ao seu país. Aristide dominou a vida política haitiana durante quase 15 anos antes de ser obrigado a deixar seu país em 2004, enfrentando uma insurreição armada e pressões internacionais.

Na noite passada, uma reunião foi realizada na Casa Branca entre representantes de diferentes agências e administrações americanas.

Um conselheiro de segurança nacional do presidente Barack Obama deve viajar ao Haiti com uma autoridade do Pentágono para ajudar na coordenação das operações de socorro.

Obama, por sua vez, reiterou nesta sexta-feira seu pleno apoio ao colega haitiano, René Preval, em uma conversa por telefone.

"O presidente disse a ele que o mundo está comovido com as perdas e o sofrimento no Haiti e prometeu o pleno apoio do povo americano (...) tanto no que diz respeito ao esforço de resgate imediato como no esforço a longo prazo de reconstrução", afirma o texto da Casa Branca.

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