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16/01/2010 - 12h53

Saques e problemas na distribuição da ajudam abalam o Haiti

O desespero e os saques aumentam no Haiti, quatro dias depois do terremoto que provocou pelo menos 50.000 mortes, enquanto a ajuda demora a chegar aos milhões de desabrigados de uma tragédia que a ONU considera o maior desastre que a organização já enfrentou em sua história.

O porto da capital Porto Príncipe recebeu na sexta-feira à noite o primeiro navio com carga desde o tremor de terça-feira, uma embarcação de bananas e carvão que foi recebida com aplausos pelos desesperados habitantes da cidade devastada.

No entanto, o momento de alegria não altera a situação na capital haitiana, onde os saques não param e acontecem confrontos violentos nos postos de distribuição de ajuda.

Ao mesmo tempo que funcionários da ONU pedem mais ajuda, a morte toma conta das ruas de Porto Príncipe, devastada pelo terremoto de 7,0 graus na escala Richter, que deixou um balanço parcial de 50.000 mortos, 250.000 feridos e 1,5 milhão de desabrigados.

O violento terremoto é o maior desastre que a ONU já enfrentou em sua história, já que destruiu as estruturas locais, afirmou neste sábado a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários Elizabeth Byrs..

"É um desastre histórico. Nunca antes na história das Nações Unidas enfrentamos um desastre deste tamanho. Não é comparável a nenhum outro", destacou a porta-voz em Genebra, antes de explicar que, ao contrário da tsunami de 2004 na Indonésia, no Haiti restaram poucas estruturas locais para canalizar a ajuda estrangeira.

A ONU, que é responsável por coordenar a ajuda humanitária no local, afirma enfrentar "um desafio logístico maior".

Além de Porto Príncipe, as equipes da ONU que inspecionaram as cidades ao oeste da capital haitiana informaram que a localidade de Leogane ficou quase 90% destruída.

As equipes também visitaram as cidades de Gressier (25.000 habitantes) e de Carrefour (334.000 habitantes), ao oeste da capital Porto Príncipe, e calcularam que a destruição nestas localidades foi de 40-50%.

Quatro dias depois do terremoto, que teve o epicentro localizado a 17 km da capital haitiana, a ONU continua concentrada na busca de sobreviventes, destacou Byrs, que insistiu na necessidade urgente de medicamentos.

Ela admitiu que os socorristas enfrentam muitos problemas logísticos, como a falta de transporte, de combustível e as comunicações em colapso.

Diante da lentidão da chegada da ajuda, os habitantes, abandonados à própria sorte, buscam alimentos desesperadamente entre os escombros das lojas, ignorando os corpos amontoados e em decomposição à luz do sol.

Um homem que encontrou uma caixa de cereais foi inmediatamente cercado por mais de 10 pessoas, que tentaram roubar o produto. Outro carrega uma caixa com alimentos e um homem não hesita em agarrá-lo pelo pescoço para arrancar a mesma.

Os produtos alimentícios são os mais procurados, mas muitas pessoas levam ventiladores e equipamentos de som.

O Haiti, um dos países mais pobres do mundo, que convive há muito tempo com a violência e banhos de sangue, não tem Forças Armadas e a polícia praticamente desapareceu em meio ao caos após o terremoto.

O presidente do país, René Preval, ressaltou a resposta internacional, mas reclamou da coordenação ruim na entrega da ajuda que chega diariamente do exterior.

"Necessitamos da ajuda internacional, mas o problema é a coordenação", declarou o presidente à AFP.

"O que vamos fazer é pedir aos doadores que trabalhem com comitês que criamos dentro do governo", afirmou Preval, que estabeleceu a sede temporária do governo em uma delegacia próxima do aeroporto internacional da capital - que está sob controle dos Estados Unidos -, em consequência do desabamento de vários edifícios públicos, incluindo o palácio presidencial.

"O governo perdeu as capacidades para funcionar, mas não está destruído", completou o presidente, visivelmente esgotado.

A ONU fez um apelo à comunidade internacional para arrecadar 560 milhões de dólares, que serão destinados às víctimas.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, visitará o Haiti neste sábado para observar a organização da ajuda ao país.

O Brasil tem o comando militar da Missão da ONU de Estabilização do Haiti (Minustah), que com 7.000 soldados - 1.200 deles brasileiros - e 2.000 policiais era responsável por manter a ordem no país desde 2004.

Desde o tremor devastador, 10.000 soldados americanos chegaram ao Haiti para controlar o aeroporto, carregados com toneladas de ajuda. A missão está concentrada no resgate de sobreviventes, mas as tropas americanas podem ser convocadas a ajudar na manutenção da ordem se as condições de segurança exigirem, informou Washington.

Há dois dias, milhares de desabrigados fogem da capital.

"As ruas cheiram à morte, não temos nenhum tipo de ajuda e nossos filhos não podem viver como animais", afirma Talulum Saint Fils, mãe de família que aguardava um ônibus lotado de passageiros para sair de Porto Príncipe com o marido e os quatro filhos.

O destino: "qualquer lugar desde que seja longe da cidade".

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