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21/01/2010 - 12h18

A busca por sobreviventes chega ao fim no Haiti

Nove dias após o terremoto, as operações de resgate no Haiti estão chegando ao fim, apesar da descoberta de outros sobreviventes no dia seguinte a um poderoso tremor secundário de 6,1 na escala Richter, que voltou a assustar os traumatizados haitianos.

Os Estados Unidos, que comandam a parte logística, disseram que a fase da busca por sobreviventes será encerrada "muito em breve", para começar os trabalhos de remoção dos corpos e dos escombros da capital arrasada.

Apesar do forte tremor secundário de ontem, que não deixou vítimas, os socorristas conseguiram salvar algumas pessoas, como a pequena Mendji Bahina Sanon, 11 anos, encontrada viva por vizinhos depois de passar oito dias sob os escombros de sua casa.

"Ela teve uma sorte incrível, é abençoada por Deus", extasiou-se o cirurgião francês Dominique Jan.

De acordo com a ONU, 121 pessoas foram retirados dos escombros desde o terremoto de 12 de janeiro. Porém, as 43 equipes internacionais envolvidas nos resgates, formadas por 1.800 socorristas e 161 cães, sabem que cada dia que passa diminui as chances de encontrar sobreviventes.

Centenas de milhares de haitianos, que vivem em condições de higiene precárias e no temor da violência, continuam aguardando água e alimentos.

Muito danificado pelo terremoto, o porto de Porto Príncipe deve voltar a funcionar na sexta-feira, o que ajudará a desafogar o aeroporto, anunciou o Exército dos Estados Unidos.

No porto, o navio francês Francis Garnier já começou a descarregar ajuda. "Vamos reabrir o porto para o tráfego comercial na sexta-feira", afirmou o general americano Ken Keen, encarregado de supervisionar as operações militares americanas de ajuda aos haitianos.

O Exército americano negou ontem falhas na coordenação das rotações aéreas no aeroporto, afirmando estar "trabalhando muito" para que a ajuda às vítimas do terremoto chegue nas melhores condições possíveis.

Os dirigentes haitianos garantiram nesta quinta-feira a meios de comunicação franceses que seu país não está "sob tutela" e que a mobilização militar americana corresponde a um pedido deles.

"Os americanos estão aqui a pedido nosso, para nos ajudar a suprir nossas necessidades humanitárias ou de segurança, como no caso do transporte de fundos", declarou à rádio RTL o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive.

"Haiti não está sob tutela", afirmou ao jornal Libération o presidente René Préval.

As declarações dos dirigentes haitianos acontecem num momento em que a comunidade internacional está estudando um "plano Marshall" para reconstruir o Haiti.

O balanço provisório da tragédia continua sendo de 75 mil mortos, 250 mil feridos e um milhão de desabrigados, mas o general Keen disse que trabalha com a possibilidade de 150 a 200 mil mortos.

Quase 400 mil habitantes de Porto Príncipe, que tem um milhão de desabrigados, se reuniram em mais de 300 acampamentos improvisados na capital.

As condições de higiene são lamentáveis. Mulheres se lavam perto de montanhas de detritos, crianças fazem suas necessidades no meio dos corpos em decomposição e muitas pessoas bebem água não potável, provocando diarreias e infecções.

Os sobreviventes que conseguem água, alimentos ou combustível de sobra vendem seus produtos a preço de ouro, favorecendo uma disparada dos preços.

"Se não houver distribuição rapidamente, a insegurança vai aumentar, porque as pessoas estão com sede e com fome e as gangues voltaram", avisou quarta-feira o chefe da delegacia do bairro pobre de Cité Soleil.

Soldados americanos patrulharam ontem as ruas do centro para dissuadir saqueadores.

No interior do Haiti, dois caminhões cheios de comida não puderam entregar a mercadoria em Léogane, 30 km a oeste de Porto Príncipe, por causa de brigas.

Para o general Keen, a coordenação dos socorros é agora "um dos maiores desafios", assim como garantir a segurança nos pontos de distribuição para evitar tumultos.

O Exército dos EUA vai enviar 4 mil soldados suplementares, levando seu contingente a 15 mil homens.

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, conclamou a comunidade internacional a lançar "um tipo de plano Marshall" para o Haiti.

Promessas de doações de mais de 1,2 bilhão de dólares já foram reunidas, segundo a ONU.

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