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21/01/2010 - 17h21

Haiti lança operação para alojar famílias desabrigadas pelo terremoto

O Haiti lançou nesta quinta-feira uma ampla operação para realocar em diferentes partes do país as centenas de milhares de pessoas que perderam suas casas no terremoto do dia 12 de janeiro, enquanto as forças americanas trabalham para reabrir, em 24 horas, o porto da capital haitiana.

"Uma vasta operação está em marcha. Vamos relocar os sem teto", indicou o ministro haitiano do Interior, Paul Antoine Bien Aimé, explicando que acampamentos com capacidade para até 10.000 pessoas estão sendo montados.

O governo haitiano contratou empresas de ônibus para transportar os desabrigados para o norte e o sul do país a partir de Porto Príncipe, que foi praticamente destruída pelo tremor.

Pelo menos 500.000 pessoas ficaram sem ter para onde ir apenas na capital haitiana, onde já existem 477 acampamentos improvisados, segundo a Organização Internacional de Migrações (OIM), com sede em Genebra.

"O número (de pessoas desabrigadas) aumenta e não inclui quem está foram de Porto Príncipe", informou Jemini Pandya, porta-voz da organização. Além da capital, várias cidades da região oeste do país foram gravemente danificadas pelo terremoto.

As autoridades haitianas estimam que este número pode chegar a um milhão de pessoas.

Em Croix-des-Bouquets, a 17 quilômetros de Porto Príncipe, um batalhão brasileiro começou a preparar o terreno para instalar um dos abrigos.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento prevê, por sua vez, construir casas sólidas para cerca de 30.000 pessoas, nesta mesma localidade.

Os balanços provisórios da catástrofe causada pelo terremoto continuam dando conta de 75.000 mortos e 250.000 feridos. A ONU estima que três milhões de pessoas necessitem de ajuda humanitária no país para sobreviver.

Os Estados Unidos habilitaram quatro aeroportos para receber a ajuda, que chega de todas as partes do mundo: dois no Haiti e dois na vizinha República Dominicana, indicou nesta quinta-feira o general Douglas Fraser, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos.

Washington anunciou um reforço de 4.000 homens, elevando para 15.000 o número de soldados americanos no Haiti. O contingente extra deve chegar na sexta-feira.

As forças americanas trabalham dia e noite na reabertura do porto da capital haitiana, com o objetivo de descongestionar o aeroporto, por onde chega a maior parte da ajuda humanitária.

"Vamos reabrir o porto para o tráfico comercial na sexta-feira", afirmou o general Kenneth Keen, que supervisiona as operações americanas no Haiti.

Entretanto, a ação americana continua levantando polêmica, principalmente depois que os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, afirmaram que a presença dos Estados Unidos no Hairi é "uma ocupação militar".

"Os americanos estão aqui a pedido nosso", declarou nesta quinta-feira o primeiro-ministro haitiano, Jean Max Bellerive, em entrevista à rádio francesa RTL.

"O Haiti não está sob tutela" americana, enfatizou o presidente, René Preval, falando ao jornal Liberation.

Entre os novos anúncios de ajuda, o Banco Mundial indicou nesta quinta-feira que suspenderá durante cinco anos a cobrança da soma devida pelo Haiti, e que trabalha neste momento para que a dívida seja totalmente abonada.

Apesar do tempo que já passou desde o terremoto, as equipes de socorro continuam trabalhando no resgate de sobreviventes, animados pelo êxito dos últimos dias.

Telle Mendji Bahina Sanon, uma haitiana de 11 anos, foi encontrada viva na noite de quarta-feira, depois de passar oito dias sob as ruínas de sua casa.

"Os socorristas estão trabalhando agora como desde o primeiro dia", declarou nesta quinta em Genebra Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU. "Enquanto houver esperança, mesmo que diminua com a passagem dos dias, de salvar uma única vida, nós continuaremos", insistiu.

De acordo com a ONU, 121 pessoas já foram resgatadas com vida dos escombros desde o início das operações, um recorde em comparação com outros tremores em todo o mundo.

Apesar das frequentes cenas de saques na capital, a segurança no Haiti está sob controle, afirmou Vicenzo Puguese, porta-voz da Missaão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah).

No entanto, centenas de milhares de haitianos, na capital e no interior, continuam esperando pela chegada da ajuda, a maioria em condições precárias de higiene, que provocam diarreias e infecções.

Os sobreviventes precisam de tudo, mas os que conseguiram porventura encontrar água, mantimentos ou gasolina os revendem a preço de ouro, o que provocou uma forte alta de preços.

Frédéric Leny, motorista de táxi de Porto Príncipe, admite ter aumentado suas tarifas, mas se justifica: "estou ganhando muito dinheiro agora, mas isso não vai durar. Em poucos dias, todo o mundo terá esquecido o Haiti".

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