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22/01/2010 - 17h57

Moradores de Porto Príncipe queimam cadáveres nas ruas

Moradores do centro de Porto Príncipe começaram a queimar cadáveres que ainda não tinham sido recolhidos por nenhum serviço oficial doze dias após o terremoto, constatou a AFP nesta sexta-feira.

"Decidimos queimá-los. Ninguém veio pegá-los, e cheiravam mal", explicou à AFP Hored Stanley, morador de uma rua do centro da cidade.

No meio da rua, em frente as ruínas de um enorme edifício onde funcionava uma escola, uma igreja e um colégio técnico, podia-se distinguir pelo menos três esqueletos carbonizados no meio de um monte de lixo, e no mínimo outros três dentro do prédio em ruínas.

Stanley mostrou suas feridas e explicou à AFP que foi um dos 12 sobreviventes de um grupo de 58 pessoas que estavam reunidas dentro do colégio quando ocorreu o terremoto.

"Realizávamos uma reunião para organizar o Carnaval", explicou.

O edifício desabou e Stanley e outros vizinhos acreditam que cerca de 200 pessoas que estavam lá morreram.

Em uma parede caída alguém escreveu com spray "Adeus a", seguido de doze nomes.

"São alguns dos mortos que resgatamos. Nós estamos vivos, mas é como se estivéssemos mortos", explicou Stanley, rodeado de outros vizinhos.

Delice Guymar disse à AFP que perdeu seu filho de 21 anos e netos e netas dentro do edifício, e os identificou na lista de nomes pintados na parede.

O centro da capital haitiana, o mais afetado pelo devastador terremoto, começa lentamente a se recuperar nesta sexta-feira, mas ainda precisa de eletricidade e água.

As escavadeiras e os caminhões começam a retirar os escombros.

Os serviços de distribuição de alimentos também funcionam e a polícia faz rondas, mas os roubos e a insegurança são constantes, inclusive durante o dia.

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