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22/01/2010 - 12h04

Primeiro-ministro haitiano abre portas de seu palácio para centenas de refugiados

O primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, já não pode recebê-los, mas há dez dias abriu suas portas para cerca de mil haitianos que agora vivem nos jardins do palácio após o terremoto que destruiu suas casas.

"Estou orgulhoso de o primeiro-ministro ter aberto as portas do jardim, mas também sinto um pouco de tristeza", explicou à AFP Léon Frantz, um jovem médico que perdeu sua casa, mas que todos os dias vai ao palácio para ajudar nas tarefas de distribuição de medicamentos.

O cenário parece surgir de um passado esquecido no Haiti, a primeira república independente da América Latina, surgida das cinzas de uma revolta de escravos.

No alto da pequena colina, há um palácio branco de telhas vermelhas, em estilo colonial, mesmo tendo sido construído nos anos 40.

Em torno do palácio, fechado por risco de desabamento, o jardim que era um oásis gramado na caótica Porto Príncipe, agora é tomado por um mar de lonas de plástico azuis e brancos.

No pátio de entrada, o chefe do gabinete do primeiro-ministro, Juvé Hervé Day, está disposto a passar mais uma noite dentro de seu carro.

"Antes de ir dormir dou uma volta para ouvir suas queixas", disse o alto funcionário, ressaltando o formigueiro humano instalado em barracas precárias.

O alto funcionário é cercado por guardas, mas qualquer ato desesperado poderá gerar uma confusão.

"No dia do terremoto abrimos espaços para a população" para que pudessem se refugiar, explica, e desde então não houve incidentes.

O Palácio Presidencial, em pleno centro da cidade, ficou totalmente destruído e seu gramado foi utilizado como pista de aterrissagem para os helicópteros.

A casa do chefe de gabinete resistiu ao tremor, mas Day decidiu, ao lado do secretário-geral de gabinete, vigiar o palácio todas as noites.

"Não quero parecer quixotesco, mas estou disposto a ficar pelo tempo que for necessário", assegura.

O conselho de ministros haitiano é realizado em uma delegacia ao lado do aeroporto. A sensação de precariedade é mais aparente do que nunca no Haiti, um país com instituições cronicamente instáveis.

Uma distribuição de cobertores feita pela Cruz Vermelha provoca confusão nos jardins do palácio.

Melie Laventin tem 40 anos e cinco filhos, o menor de seis meses. Perdeu sua casa não muito distante do palácio, e veio imediatamente com seu marido, sem um motivo especial.

Melie nunca tinha posto os pés antes na Primatura (gabinetes do primeiro-ministro), nem pensa em fazê-lo depois desse drama.

"Quero apenas que nos retirem daqui, quero sair de Porto Príncipe", disse.

Seu marido não tem trabalho, não tem como pagar passagens para a família. "Não sei para onde ir", acrescenta.

Darius Jeanlevy trabalha como segurança na casa de um membro da embaixada norte-americana. Disse que sua casa, em um bairro não muito distante, ficou de pé, mas que o susto para sua família foi tão grande que se mudou para os jardins da Primatura.

"No me sinto orgulhoso, esta não é a minha casa", disse.

Quando puder, mandará seus filhos para o interior do país. Não acredita que o terremoto tenha acabado ainda.

"A terra ainda treme por aqui", disse.

Pelo menos 500.000 moradores da capital estão desabrigados, segundo cálculos provisórios.

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