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27/01/2010 - 23h03

Sobreviventes e libertadores se encontram para aniversário de Auschwitz

Sobreviventes de Auschwitz, veteranos do exército soviético e líderes políticos, como o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reuniram nesta quarta-feira na Polônia por ocasião do 65º aniversário da libertação do campo de concentração.

As sirenes que serviam para denunciar a fuga de prisioneiros do campo, instalado em 1940 no sul da Polônia pela Alemanha nazista, voltaram a soar na tarde desta quarta-feira, para marcar o início das cerimônias, em um dia frio, com neve, como o 27 de janeiro de 1945, quando Auschwitz foi liberado pelo exército Vermelho.

"Os últimos sobreviventes, aqui presentes, têm o direito de crer que seu sofrimento e a morte de seus familiares teve um sentido", declarou Wladyslaw Bartoszewski, de 87 anos, ex-ministro polonês das Relações Exteriores, que ficou preso em Auschwitz. "Para construir em futuro melhor para todos os habitantes da Europa e do mundo, qualquer que seja sua origem ou credo".

"En este lugar, juro en mi calidad de dirigente del pueblo judío, que nunca más permitiremos que el mal haga sufrir a nuestro pueblo", afirmó en su discurso el primer ministro israelí Benjamin Netanyahu.

"O Holocausto não foi obra de animais selvagens, mas de pessoas selvagens", afirmou, lembrando a "solução final" idealizada pela Alemanha nazista, que tirou a vida de seis milhões de judeus, quase a metade dos que viviam na Europa antes da Segunda Guerra Mundial.

O presidente americano, Barack Obama, destacou em uma mensagem (gravada em vídeo e transmitida esta manhã em um fórum do Congresso Judaico Europeu na Cracóvia), "o dever sagrado de recordar a crueldade que imperou neste lugar". As gerações atuais devem "combater o antissemitismo e a ignorância em todas as suas formas", insistiu Obama.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, enviou uma mensagem escrita ao fórum de Cracóvia, na qual falou sobre o dever de manter viva a memória das vítimas do Holocausto. "Não resta dúvida de que Auschwitz é o símbolo do mal absoluto, marcado a ferro na consciência humana", afirmou.

"O Holocausto é a tragédia que une a Europa", estimou o líder do Congresso Judaico Europeu, Moshe Kantor.

Em uma nota publicada no site do Kremlin, também dirigida aos participantes das cerimônias em Auschwitz, o presidente russo, Dimitri Medvedev, criticou "aqueles que tentam justificar" o Holocausto. "Estas tentativas de reescrever a história são inadmissíveis, e precisamos unir nossos esforços para combatê-las", declarou.

Durante a audiência geral desta quarta-feira no Vaticano, o Papa Bento XVI denunciou "a crueldade inaudita" dos campos de extermínio nazistas.

Em Berlim, na comemoração da libertação de Auschwitz, o presidente de Israel, Shimon Peres, pediu que todos aqueles que tiveram alguma participação no Holocausto sejam processados.

Peres proferiu um emocionante discurso em hebraico no parlamento alemão, no qual falou de seu avô, queimado vivo pelos nazistas dentro de uma sinagoga, junto com toda a comunidade judaica da aldeia onde vivia na atual Bielo-Rússia.

Aproximadamente 1,1 milhão de pessoas morreram em Auschwitz, a maioria nas câmaras de gás.

Eva Mozes, uma das gêmeas submetidas em Auschwitz aos horríveis experimentos do médico Josef Mengele, voltou nesta quarta-feira ao local de seu suplício.

"Meus pais e nossa irmã mais velha foram assassinados 30 minutos depois de chegar ao campo. Eu nunca mais os vi, desapareceram sem deixar rastro", contou Mozes, de 75 anos, à AFP. Ela mora no estado de Indiana, nos Estados Unidos.

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