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01/02/2010 - 16h48

Obama inicia redução do déficit desistindo da Lua

O presidente Barack Obama apresentou nesta segunda-feira um orçamento para o exercício de 2011 que mostra "as graves dificuldades" pelas quais estão passando os Estados Unidos, centralizando-se na redução de um déficit gigantesco com a decisão, altamente simbólica, de desistir de enviar homens à Lua.

"Estamos em guerra, nossa economia perdeu sete milhões de empregos nos dois últimos anos e nosso Estado está altamente endividado, depois do que somente pode ser chamado de década perdida", declarou Obama na manhã desta segunda-feira, após a publicação do projeto.

Este orçamento para o exercício que vai de outubro de 2010 a setembro de 2011 prevê gastos de 3,721 bilhões de dólares (+3% em relação ao exercício em curso), mas também uma redução do déficit por meio da recuperação econômica e de um aumento de 19% da arrecadação fiscal.

Assim, o déficit passaria ao recorde de 1,556 trilhão de dólares em 2010 - correspondente a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) - a 1,267 trilhões (8,3% do PIB).

"Não podemos continuar gastando como se os déficits não tivessem consequências. Chegou a hora de poupar o que podemos, gastar o que temos que gastar e voltar a viver de acordo com nossa situação real", sentenciou Obama.

Uma das decisões mais importantes do projeto é o encerramento do programa Constelation, lançado pelo ex-presidente George W. Bush em 2004 e que prevê o retorno dos americanos à Lua até 2020 e voos tripulados a Marte.

A prioridade anunciada é a luta contra o desemprego, que ultrapassou os 10% pela primeira vez desde 1983. "Uma das prioridades é estimular a criação de empregos", afirmou Peter Orszag, responsável pelo orçamento.

"O orçamento prevê 100 bilhões de dólares para investimentos imediatos na criação de empregos e em cortes de impostos para as pequenas e médias empresas, na infraestrutura e na energia limpa", destacou a Casa Branca.

Para a presidência, a taxa de desemprego vai continuar decaindo em ritmo lento, passando de 10% em 2010 a 9,2% em 2011, 8,2% em 2012 e 7,3% em 2013.

O exercício de 2011 deve marcar o fim do plano de recuperação de 787 bilhões de dólares em três anos aprovado em fevereiro de 2009, mas também a expiração das reduções de impostos para as famílias mais abastadas, que não serão reconduzidas.

Todos os subsídios para as energias fósseis também deverão ser suprimidas.

Obama propôs um congelamento dos gastos por um período de três anos, fora as despesas de ordem social e as relacionadas à segurança. Ele manteve a promessa de dividir por dois o déficit do Estado federal entre 2010 e 2013, apostando em um crescimento forte, de 2,7% em 2010, 3,8% em 2011 e mais de 4% em 2012 e 2013.

Obama lançou na manhã desta segunda-feira um apelo à boa vontade de todos os parlamentares, tanto democratas como republicanos. No entanto, o projeto já suscitou reações negativas de vários senadores, preocupados com o valor da dívida.

"O presidente deveria ter um plano mais firme para conter a crise orçamentária, pois este projeto não vai resolver nada", afirmou o senador republicano Judd Gregg.

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