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01/02/2010 - 22h45

Venezuela: ex-ministros pedem renúncia de Chávez

Vários ex-ministros e ex-aliados do presidente venezuelano Hugo Chávez pediram nesta segunda-feira sua demissão, considendo que, após 11 anos no cargo, Chávez "não tem legitimidade nem capacidade de governar", segundo um comunicado publicado nesta segunda-feira pela imprensa local.

"Presidente Chávez, nós que fizemos da defesa da Constituição nossa luta (...) para evitar maiores males e desgraças ao país, como estão ocorrendo, exigimos formalmente sua renúncia", diz o documento, assinado pelo grupo Polo Constitucional.

Entre as assinaturas estão a do ex-ministro de Relações Exteriores, Luis Alfonso Dávila, a do ex-ministro de Defesa, Raúl Isaías Baduel, a de um dos principais redatores da Constituição, Herman Escarrá e a dos ex-comandantes que acompanharam Chávez na tentativa de golpe de Estado em 1992, Yoel Acosta e Jesús Urdaneta, entre outros.

Segundo o texto, o presidente deve deixar o poder devido a "seu projeto absolutista e totalitário", "pela falta de prestação de contas", "pela linguagem imprópria" empregada que "despe sua alma intolerante, mesquinha, cheia de ódio e de ressentimento".

Os assinantes da carta dizem que a Venezuela vive com falta de água, energia elétrica, sofre com altos índices de insegurança e com uma "escandalosa corrupção", que "agregam elementos para a desqualificação de Chávez como governante".

O Polo Constitucional reivindica ainda o direito dos venezuelanos "à propriedade privada", à "educação plural" e ao "pluralismo político" e critica que o Exército e outras instituições estejam "distorcidas pela penetração de elementos estranhos", em uma clara alusão a Cuba.

Além disso, considera que o atual Executivo peca por uma "centralização irresponsável que coloca seus caprichos na frente das necessidades do Estado".

Nos últimos dias, Chávez vem insistindo em que as manifestações registradas na Venezuela contra ele pretendem desestabilizar seu governo e têm "o mesmo formato" que o golpe de Estado de abril de 2002, quando foi retirado do poder durante dois dias.

"Há grupos que estão chamando os militares ativos, incitando-os (à rebelião). Recomendo que não o façam porque juro que minha resposta será forte", advertiu Chávez.

Dois estudantes morreram semana passada em manifestações contra a suspensão do sinal de alguns canais de televisão a cabo, entre eles a RCTV, muito crítico em relação ao governo.

Na quinta-feira passada, o presidente Hugo Chávez, advertiu que dará uma resposta "radical" a quem tentar um golpe de Estado, afirmando "que há grupos" que estão fazendo contato com militares ativos para preparar um plano de "desestabilização".

"Há grupos que estão chamando militares ativos, incitando-os. Recomendo que não o façam porque, juro, minha resposta será radical", advertiu Chávez em um discurso transmitido em rede obrigatória de rádio e televisão.

Segundo Chávez, seus opositores estão encorajando protestos, principalmente de estudantes, para desestabilizar seu governo e "convocar a rebelião", com o objetivo de reeditar o golpe de Estado que em abril de 2002 o tirou do poder por três dias.

"Vou reforçar minha advertência. Esqueçam que as Forças Armadas vão apoiar um golpe de Estado na Venezuela", insistiu, garantindo que ele não é o mesmo Chávez de 2002.

"Querem me testar? Sigam por esse caminho e conseguirão. Aceito os desafios e me submeto a qualquer prova de fogo", enfatizou.

O governo de Chávez, no poder desde 1999, vem enfrentando nos últimos dias muitos protestos pela retirada do ar da emissora RCTV, que operava a cabo após não ter sua frequência de sinal aberta renovada pelo governo em 2007.

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