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02/02/2010 - 17h29

Haiti adia eleições após terremoto

Três semanas depois do terremoto que deixou pelo menos 170 mil mortos, o poder haitiano decidiu nesta terça-feira adiar sine die as eleições previstas para o final deste mês, num momento em que a justiça tentava se reorganizar para apurar o caso das "crianças roubadas".

As eleições legislativas e senatoriais previstas, respectivamente, para os dias 28 de fevereiro e 3 de março, foram adiadas "para uma data posterior" não especificada, anunciou o órgão oficial encarregado de organizar as votações.

A decisão não constitui uma surpresa. O terremoto do dia 12 de janeiro acabou com o já frágil aparelho do Estado haitiano.

"Perdemos a sede da Presidência, o Palácio de Justiça, o ministério das Relações Exteriores e até nossas igrejas", lembrou o advogado Arthur Calixte, que assistia a uma cerimônia organizada na manhã desta terça-feira diante das ruínas do Palácio de Justiça em memória aos cerca de 15 magistrados mortos na catástrofe.

A combalida justiça haitiana tem que lidar desde sexta-feira com o caso de dez americanos acusados de tentarem retirar ilegalmente 33 crianças do país.

O procurador de Porto Príncipe, Mazar Fortil, disse nesta terça-feira à AFP que os dez americanos estão sendo ouvidos pela justiça e que o problema de intérprete, que atrasou o processo segunda-feira, já foi resolvido.

"Os indiciamentos só serão pronunciados depois do fim das audiências", avisou.

Os dez americanos, membros da organização religiosa New Life Children's Refuge, com sede em Idaho (noroeste dos EUA), são acusados pelas autoridades haitianas de ter se aproveitado do terremoto para "roubar" as crianças, com idades de 2 a 14 meses.

"Queríamos, apenas, ajudar as crianças", alegou a porta-voz do grupo.

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