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04/02/2010 - 23h00

Amorim se reúne com Kirchner e diz que 'integração com a Argentina é prioritária'

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira que a integração com a Argentina é "absolutamente prioritária" para o país, confirmando a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Buenos Aires em março, após uma reunião com a presidente argentina, Cristina Kirchner.

"A reunião foi muito amistosa, muito calorosa. A presidente me perguntou pela saúde de Lula e conversamos sobre o encontros dos dois presidentes", que estáprogramado para a última semana de março, indicou Amorim, em uma entrevista coletiva na Casa Rosada, em Buenos Aires, sede do governo argentino.

Lula sofreu uma crise de hipertensão na semana passada, provocada por estafa física, que o obrigou a passar a noite no hospital para a realização de exames médicos - e impediu que o presidente viajasse para participar do Fórum Econômico em Davos.

Sobre a visita de Lula, Amorim afirmou que "é muito importante que ambos os presidentes se reúnam a cada três meses, como foi acertado em novembro passado, porque com isso vamos aprofundando nossa integração, que é absolutamente prioritária em nossa agenda externa".

Antes do encontro, Amorin teve uma longa reunião com seu par argentino, Jorge Taiana, na primeira de duas rodadas de consultas entre vários ministros dos dois países sul-americanos.

No Palácio San Martín, que abriga a chancelaria argentina, houve também reuniões paralelas entre os ministros da Indústria das duas nações, Débora Giorgi e Miguel Jorge, e da Fazenda, Amado Boudou e Guido Mantega.

Um dos encontros mais longos aconteceu entre o secretário argentino da Indústria, Eduardo Bianchi, o secretário brasileiro de Desenvolvimento, Ivan Ramalho, e o subsecretário de Comércio do Brasil Welber Barral. Os três analisaram o comércio bilateral, que movimenta por ano 23,5 bilhões de dólares.

Após o extenso debate, os secretários se comprometeram a estudar uma eventual redução ou flexibilização da aplicação das licenças não-automáticas sobre as importações, com o objetivo de normalizar o comércio bilateral.

As licenças não-automáticas foram estabelecidas pelos dois países em setores considerados sensíveis, com a justificativa de se protegerem da crise financeira global, no ano passado, e geraram tensões entre as duas maiores economias do Mercosul.

Bianchi afirmou que o mecanismo foi uma "ferramenta útil" para amenizar a crise de 2009, principalmente para preservar postos de trabalho.

Ramalho, por sua vez, estimou que estas medidas são "negativas", mas acrescentou que o panorama pode mudar este ano, já que se espera um crescimento do comércio do Brasil, tanto bilateral quanto mundial.

"Só em janeiro, o comércio entre os dois países cresceu 50%", destacou.

Estas licenças - destinadas a evitar o dumping - foram permitidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e são utilizadas pelos países para analisar com prazos de entre 60 e 90 dias os preços com os quais determinados produtos importados entram no mercado.

Sobre o setor automotivo, um dos pilares do intercâmbio comercial bilateral, Ramalho disse que, assim como em 2009, o comércio de veículos e peças "será equilibrado", enquanto Bianchi ressaltou que o acordo que rege a indústria na região é bem-sucedido.

Em 2009, o intercâmbio comercial bilateral registrou uma queda significativa de aproximadamente 20%, com um déficit para a Argentina de 543 milhões de dólares, segundo números dos dois países.

Na sexta-feira, os chanceleres e ministros participarão de uma cúpula, que funcionará como pontapé inicial para o mecanismo de consultas idealizado por Lula e Kirchner em novembro, com reuniões presidenciais e ministeriais trimestrais.

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