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05/02/2010 - 15h47

Com a crise dos países mediterrâneos, Eurozona enfrenta seu mais duro desafio

Com a crise econômica que atinge Grécia, Espanha e Portugal, a Eurozona enfrenta a prova mais difícil desde seu nascimento, há 11 anos, que passa forçosamente por um período de austeridade para garantir a boa saúde dos cofres públicos.

Após a explosão da dívida e do déficit na Grécia, agora são Portugal e Espanha que criam agitação e analistas temem que tais países sofram com danos econômicos similares ao grego.

Tais inquietudes motivaram as quedas sofridas na quinta e na sexta-feira pelas bolsas de Madri e de Lisboa, que perderam, respectivamente, cerca de 6% e 5%. Já a Bolsa de Madri teve uma queda menos acentuada nesta sexta-feira, de 1,35%, a 10.103,30 pontos.

O euro também retrocedeu nesta sexta-feira, devido aos riscos de contágio ao restante dos membros da Eurozona, que é integrada por 16 países. Pela primeira vez em oito meses e meio, a cotação ficou abaixo de US$ 1,37.

Nesta sexta-feira, o governo espanhol sofreu um novo revés: o Banco da Espanha anunciou que a economia não conseguiu sair da recessão no quarto trimestre de 2009, quando o Produto Interno Bruto (PIB) se contraiu em 0,1%.

O Executivo espanhol acreditava que os dados dos últimos três meses do ano revelavam, pela primeira vez, um crescimento da economia, dando trégua ao período de seis trimestres consecutivos de recessão.

"Este não é um momento fácil, há questões fundamentalmente econômicas, de grande magnitude para a Espanha e para outros países da Europa", reconheceu nesta quinta-feira em Washington o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

No entanto, Zapatero garantiu "não compartilhar" das dúvidas que pesam sobre a capacidade do governo de reduzir o déficit, que chegou a 11,4% do PIB em 2009. Ele insistiu que "os fundamentos da economia espanhola são sólidos".

Os mercados não têm nenhuma razão "objetiva" para preocupar-se com as finanças públicas espanholas, afirmou nesta sexta-feira à AFP o secretário de Estado da Economia, José Manuel Campa.

O ministro português das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, lamentou por sua parte que seu país, que também sofre com o gasto exagerado dos cofres públicos, tenha se convertido na nova "vítima" dos mercados.

Os responsáveis econômicos da Eurozona se empenham, entretanto, em acalmar o nervosismo em torno dos países mais frágeis, apelidados com a sigla PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha).

Espanha e Portugal não preveem um risco para a estabilidade da zona euro, indicou nesta sexta-feira Jean-Claude Juncker, o presidente do fórum de ministros de Finanças dos países que compartilham a moeda única.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, viu razões para otimismo ao qualificar de "passo na direção correta" o plano de economia apresentado pela Grécia para deter a grave crise financeira.

A Espanha e a França anunciaram, nos últimos dias, novas medidas para cortar gastos, da mesma forma que a Irlanda já havia feito anteriormente.

A crise permite prever um novo período de corte nos gastos da Eurozona. A medida visaria sanar os cofres públicos, que passaram a ser esvaziados de forma drástica com a crise financeira mundial de 2008.

No entanto, as promessas de austeridade não ganharam por enquanto a confiança dos mercados. Embora a saída da Grécia da Eurozona pareça impensável, a "pergunta que não quer calar" é até que ponto a união monetária resistirá à crise.

A Eurozona "atravessa seu primeiro grande teste" e, ao final dele, "alguns países poderão ter que deixar a união monetária", prevê o economista americano Nouriel Rubini.

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