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08/02/2010 - 14h40

Irã notifica AIEA sobre enriquecimento de urânio a 20%

O Irã comunicou oficialmente nesta segunda-feira à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sua decisão de começar a enriquecer o urânio a 20%, declarou o representante de Teerã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, ao canal de TV estatal iraniano em árabe Al-Alam.

Segundo o diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), Ali Akbar Salehi, o processo de enriquecimento começará nesta terça-feira, no complexo de Natanz.

"A carta oficial do Irã sobre o início das atividades de enriquecimento a 20%, destinado a proporcionar combustível ao reator de Teerã, entregue à AIEA", declarou Soltanieh entrevistado por telefone de Viena.

O começo das operações destinadas a incrementar até 20% o urânio enriquecido em 3,5% de que Teerã dispõe foi anunciado por Salehi no domingo.

A ordem neste sentido foi dada pelo presidente Mahmud Ahmadinejad diante da falta de acordo para a troca de combustível nuclear com as grandes potências, acusadas de "brincar" com o Irã nas negociações.

Ahmadinejad fez o anúncio poucos dias depois de ter afirmado que o Irã não teria problemas para aceitar um eventual intercâmbio.

"Eu afirmei: demos de dois a três meses e, se não estiverem de acordo, começaremos nós mesmos a produzir urânio altamente enriquecido", declarou Ahmadinejad na inauguração de uma exposição dedicada à tecnologia laser.

"Também dissemos recentemente: vamos fazer uma troca (de urânio iraniano levemente enriquecido por combustível enriquecido a 20% pelas grandes potências), mas somos capazes de produzir urânio a 20%", explicou o presidente iraniano.

No sábado, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Laridjani (ligado ao Guia Supremo da República, o aiatolá Ali Khamenei, notoriamente contrário ao acordo), endureceu o tom ao acusar os ocidentais de "enganar o Irã" para "roubar o urânio enriquecido".

Vários países ocidentais acusam o Irã de tentar produzir armamento nuclear sob o pretexto de um programa nuclear civil, o que Teerã nega.

Pouco depois, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, pediu à comunidade internacional uma frente conjunta para pressionar o governo iraniano.

Os Estados Unidos e França anunciaram que vão impulsionar junto à ONU a adoção de novas sanções contra o Irã, informou o ministro francês da Defesa, Hervé Morin, depois de se reunir com Gates nesta segunda.

"Não resta outra opção a não ser impulsionar novas medidas no Conselho de Segurança da ONU", afirmou Morin.

"Estamos totalmente de acordo em considerar que a próxima etapa é uma ação da comunidade internacional", declarou Gates, por sua vez.

Já o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou que a decisão iraniana de fabricar urânio altamente enriquecido é "mais uma prova de que o Irã engana o mundo".

"A resposta adequada é lançar uma campanha determinante de sanções decisivas e permanentes contra o Irã. Espero que a comunidade internacional não feche os olhos para o significado de tal anúncio", declaru.

A questão do enriquecimento de urânio é o eixo da divergência, já que o urânio levemente enriquecido (entre 3 e 5%) é utilizado como combustível nas centrais elétricas nucleares, mas com um enriquecimento de 90% é possível fabricar uma bomba atômica.

Para o chanceler francês Bernard Kouchner, no entanto, o Irã não tem capacidade para fabricar combustível nuclear mesmo com urânio enriquecido a 20%.

"Enriquecer a 20% para fazer o quê?", questionou Kouchner.

Já a Rússia afirmou que o Irã deve enviar urânio para o exterior.

"Partimos sempre do princípio de que a solução passa pela aplicação por parte do Irã do acordo de Genebra, de outubro passado, que prevê o envio do urânio ao exterior para que seja enriquecido", afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

O Irã rejeitou em novembro uma proposta feita em 21 de outubro pelo Grupo dos Seis (Estados Unidos, China, Rússia, França, Grã-Bretanha, Alemanha) para o envio, em apenas uma entrega, da maior parte de suas reservas de urânio levemente enriquecido a Rússia e a França, para ser transformado por estes países em combustível para o reator de Teerã.

O Irã deu prazo até o fim de janeiro aos Grupo 5+1 para que este aceitasse uma entrega de combustível com as condições fixadas pelo governo iraniano, ou seja, uma troca simultânea e em pequenas quantidades.

Ameaçado com novas sanções internacionais, Teerã parecia ter flexibilizado sua posição nas últimas semanas.

Em 2 de fevereiro, Ahmadinejad afirmou que não via problemas para um intercâmbio, mas não mencionou as condições.

A comunidade internacional reagiu com desconfiança e pediu ao Irã que traduzisse em atos suas palavras com uma contraproposta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que no sábado ainda aguardava a oferta.

"A porta segue abierta para discussões, não fechamos", disse Ahmadinejad neste domingo, mas ressaltando que uma eventual troca de combustível nuclear entre o Irã e as grandes potências deve ser "incondicional".

Ele concluiu com o anúncio de que o Irã é capaz de enriquecer urânio com a tecnologia laser, que se soma à centrífuga utilizada até o momento pelo país.

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