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09/02/2010 - 12h31

América Latina tenta mudar foco no combate ao narcotráfico

A América Latina vislumbra uma mudança de foco na luta contra o tráfico de drogas diante do fracasso da estratégia repressiva implementada nos últimos anos, e se distanciou dos Estados Unidos neste tema, acreeditam especialistas reunidos para debater a questão em Lima.

Pesquisadores latino-americanos, americanos e europeus concordam que o debate passa por buscar soluções locais, procurando alternativas à estratégia geral coordenada de Washington.

"Concordamos no ponto de que continuar fazendo mais do mesmo não funciona", diz o especialista peruano Ricardo Soberón.

"A América Latina cumpriu fielmente durante 30 anos as políticas ditadas por Washington, e descobrimos com surpresa que alguns países começam a mudá-las", acrescenta.

Como exemplo disso ele cita o indulto concedido em 2008 a mais de 2.000 pessoas que estavam detidas no Equador por transportar menos de dois quilos de drogas.

Há alguns anos, um grupo de ex-presidentes sul-americanos, como Fernando Henrique Cardoso, além de intelectuais, como o escritor peruano Mario Vargas Llosa e o recentemente falecido argentino Tomás Eloy Martínez, vêm afirmando que é necessário descriminalizar as drogas.

"As dificuldades para chegar à despenalização passam por uma opinião pública desinformada, Congressos que não incluem o tema em suas agendas e uma resistência a evidenciar os erros cometidos pela atual estratégia", indica Soberón.

"A frustração com a famosa guerra contra as drogas - o fluxo de drogas é mais alto do que nunca - provocou uma reflexão e um debate, não apenas nas sociedades, mas também dentro de alguns governos da região", afirma a americana Coletta Youngers, especialista do Escritório em Washington para a América Latina (WOLA).

"Antes, quando alguns países começavam a falar em mudanças, imediatamente havia uma crítica por parte dos EUA, mas agora notamos que Washington não diz nada, e isso é bom, pois está deixando os países desenvolverem suas próprias políticas", explica Youngers à AFP.

Para Youngers, o importante é que também "os EUA estão começando a dar passos na direção de uma mudança. A administração de (Barack) Obama observou as reformas que estão acontecendo na América Latina, e está considerando mudanças em sua própria política para pôr mais ênfase na prevenção".

Em relação ao velho continente, para a pesquisadora holandesa Pien Metaal houve na Europa "uma tendência à descriminalização do consumo e a abandonar as penas desproporcionais para os delitos".

Com isto, "passou a haver fácil acesso ao sistema de saúde para os dependentes químicos, e acabou a pressão sobre os serviços de segurança", sem que tenha sido registrado um aumento do consumo, como se acreditava, diz.

"Acho que, cada vez mais, os países da América Latina estão olhando para a Europa como um modelo, porque a Europa está flexibilizando suas políticas com resultados muito positivos em termos de saúde, sem o aumento da delinquência", destaca Youngers.

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