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11/02/2010 - 08h00

Ahmadinejad afirma que Irã poderia enriquecer urânio a 80%

O Irã tem a capacidade de enriquecer urânio a mais de 80%, mas não vai fazê-lo, afirmou nesta quinta-feira o presidente Mahmud Ahmadinejad, que anunciou que o país "triplicará rapidamente" a produção de urânio enriquecido a 3,5%.

Ahmadinejad fez a declaração durante um discurso em Teerã diante de milhares de iranianos reunidos por ocasião do 31º aniversário da revolução islâmica.

Também afirmou que o Irã produziu a primeira carga de urânio enriquecido a 20% na central de Natanz, 48 horas depois de ter iniciado a produção que provocou muitos protestos da potências ocidentais, preocupadas com a possibilidade de que o país produza armas nucleares.

"O diretor da organização (iraniana) de energia atômica me informou que a primeira carga de combustível enriquecido a 20% foi produzido e entregue a nossos cientistas", declarou.

"Por quê os ocidentais pensam que (produzir urânio enriquecido a) 20% é um problema?", questionou Ahmadinejad.

"Temos agora a capacidade de enriquecer urânio a mais de 20% e, inclusive, a mais de 80%, mas não o faremos, pois não precisamos", disse o presidente iraniano, que mais uma vez repetiu que o país não quer a bomba atômica.

Ahmadinejad anunciou ainda que o Irã "em breve triplicará a produção de urânio enriquecido a 3,5%".

O Irã é ameaçado com novas sanções internacionais pela recusa em cessar as atividades de enriquecimento de urânio. Os países ocidentais e Israel suspeitam que as autoridades iranianas pretendem fabricar armamento nuclear sob a cobertura de um programa nuclear civil.

Ahmadinejad aproveitou a oportunidade ainda para afirmar que o presidente americano Barack Obama desperdiça oportunidades e "serve à vontade de Israel ao punir o Irã.

"Infelizmente, a esperança de mudança está rapidamente dando lugar à desesperança", afirmou Ahmadinejad.

"Obama desespera todo o mundo. Infelizmente, desperdiça oportunidades, não atua corretamente e segue um caminho contrário a seus próprios interesses e aos do povo americano, mas serve à vontade dos sionistas", completou.

Dezenas de milhares de iranianos se reuniram na manhã desta quinta-feira na grande praça Azadi de Teerã para celebrar o 31º aniversário da revolução islâmica, em meio a um forte esquema de segurança.

As autoridades, que temiam manifestações de protesto da oposição a Ahmadinejad, proibiram a presença da imprensa estrangeira no evento, limitando as atividades dos correspondentes a uma tribuna oficial na praça Azadi para ouvir o discurso do chefe de Estado.

A multidão chegou ao local com bandeiras do país e cartazes com frases já conhecidas como "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos", segundo as imagens exibidas pela televisão estatal.

A oposição iraniana anunciou que dois de seus líderes, Mohammad Khatami e Mehdi Karubi, foram agredidos nesta quinta-feira em seus veículos quando se dirigiam a protestos convocados paralelamente às comemorações do aniversário da revolução islâmica, mas escaparam ilesos.

Karubi, ex-presidente reformista do Parlamento, não foi atingido durante o ataque a seu automóvel, que aconteceu em meio a confrontos entre partidários da oposição, manifestantes pró-governo e a polícia.

Mas vários seguranças ficaram gravemente feridos, segundo o filho de Karubi, Hossein.

O carro de Khatami, ex-presidente reformista, também foi atacado quando se dirigia à manifestação, mas ele também escapou ileso, segundo o site da oposição Rahesabz.

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