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11/02/2010 - 17h14

Irã desafia Ocidente e cala a oposição no aniversário da Revolução

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, voltou a desafiar o Ocidente com seus planos nucleares nesta quinta-feira, durante o 31° aniversário da Revolução Islâmica, quando centenas de milhares de pessoas se reuniram em Teerã para uma manifestação oficial. Os chefes da oposição foram impedidos de participar.

Uma multidão concentrou-se na grande praça Azadi (Liberdade) e nas avenidas do sudoeste de Teerã, agitando bandeiras iranianas e cartazes que proclamavam "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos", segundo imagens da emissora estatal.

Os jornalistas estrangeiros ficaram confinados em um palanque oficial para ouvir o discurso de Ahmadinejad, que declarou que o Irã converteu-se em "uma nação nuclear" graças a sua capacidade de produzir urânio altamente enriquecido.

O Irã é capaz de enriquecer urânio a "mais de 80%", mas "não o fará porque não precisa", disse Ahmadinejad, repetindo várias vezes que Teerã não pretende possuir armas atômicas.

Os manifestantes entoavam em cânticos sua "submissão" ao guia da República Islâmica, Ali Jamenei, informou a emissora, segundo a qual "milhões" de iranianos reuniram-se em Teerã e outras cidades para "manifestar a unidade da nação".

Em Teerã, as concentrações causaram diversos confrontos, aparentemente isolados, mas às vezes violentos, entre as forças de segurança e os seguidores da oposição, que tentavam aproveitar a ocasião para se manifestar, de acordo com testemunhas.

As forças de segurança realizaram diversas prisões, segundo testemunhas. Dois líderes da oposição, Mohammad Jatami e Mehdi Karubi, foram agredidos, mas não ficaram feridos. Alguns homens vestidos com roupas civis atacaram o carro em que eles estavam ao se dirigir às manifestações, afirmam o site de oposição Rahesabz e o filho de Karubi. Hossein Karubi declarou que diversos seguranças que trabalhavam para seu pai ficaram feridos.

As forças de segurança iranianas impediram que outro líder da oposição, o ex-premier Mir Hosein Musavi, se juntasse à manifestação oficial, informou seu site Kaleme.org - denunciando também que sua mulher teria sido agredida.

O governo advertiu que não toleraria vozes dissonantes durante as manifestações de 11 de fevereiro, devido a recorrentes protestos da oposição após a polêmica reeleição de Ahmadinejad, quando manifestações deixaram dezenas de mortos.

No entanto, os principais líderes da oposição, que pediram a impugnação dos resultados das eleições presidenciais de 12 de junho, chamaram seus simpatizantes a participar das manifestações oficiais para que fossem ouvidos.

"Milhares de seguidores do movimento verde (a cor da oposição) estão nas ruas", afirmou o site Rahesabz. A informação não pôde ser confirmada pelo fato de a imprensa estrangeira ter sido proibida de cobrir os desfiles.

Em seu discurso, Ahmadinejad também anunciou a produção do "primeiro carregamento" de urânio 20% enriquecido, cujo destino oficial é o reator médico de Teerã, e que em breve poderá triplicar a quantidade de urânio enriquecido a 3,5%.

O Irã, ameaçado de receber novas sanções internacionais, lançou na terça-feira a produção de urânio altamente enriquecido, apesar dos protestos das potências ocidentais, que suspeitam de que o país esteja disfarçando de programa civil seus projetos de possuir armas nucleares.

A Inglaterra advertiu na quinta-feira que "a paciência da comunidade internacional não é inesgotável". A China, por outro lado, pediu para que os esforços diplomáticos fossem fortalecidos para resolver o problema.

Ahmadinejad acusou o presidente norte-americano, Barack Obama, de "servir aos interesses de Israel, inimigo da República Islâmica".

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