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11/02/2010 - 19h53

Vítimas voltam a movimentar julgamento do Anjo Louro da Morte, na Argentina

O julgamento do ex-capitão da Marinha Alfredo Astiz e outros militares foi marcado nesta quinta-feira pelo enfrentamento de vítimas da ditadura argentina com familiares dos acusados, em torno da figura do escritor e jornalista Rodolfo Walsh, um desaparecido político.

Além de pesquisador renomado, Walsh foi o autor de uma célebre Carta Aberta à Junta Militar no dia 24 de março de 1977, um ano depois do golpe de Estado, na qual denunciou o terrorismo de Estado e até mencionou os crimes cometidos na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), que se transformaria no mais emblemático campo de extermínio da ditadura.

Na carta, também se referiu ao assassinato, em Buenos Aires, do general chileno Carlos Prats e dos legisladores uruguaios Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz.

"Quinze mil desaparecidos, dez mil presos, quatro mil mortos, dezenas de milhares de exilados são a cifra nua e crua desse terror", enumerava Walsh já em 1977, quando muitos diziam desconhecer os crimes da ditadura, que deixou 30.000 desaparecidos, segundo entidades humanitárias.

No dia seguinte de escrever sua Carta Aberta, o autor de "Operación masacre" e "¿Quién mató a Rosendo?" enviou-a por correio a vários meios, pouco antes de ser interceptado em pleno centro de Buenos Aires por um comando da ESMA.

Walsh, que havia integrado o grupo de guerrilha peronista Montoneros, foi ferido de morte, mas seu corpo nunca apareceu.

A leitura completa da célebre Carta durante a audiência judicial desta quinta-feira, arrancou aplausos de familiares das vítimas, sobreviventes e membros de organismos humanitário.

Do lado de fora dos tribunais, no bairro portenho de Retiro, familiares e pessoas ligadas aos acusados penduraram cartazes chamando Walsh de "assassino e terrorista montonero", assegurando que essa é "a outra cara" do jornalista que participou da fundação da agência cubana de notícias Prensa Latina.

Os cartazes também tiveram como alvo o secretário de Direitos Humanos, Eduardo Luis Duhalde, um ex-defensor de presos políticos, a quem chamaram de "Bin Laden dos anos 70".

Os cartazes são assinados pela "Associação de Familiares e Amigos dos Presos Políticos na Argentina", como se autodenominam os militares que estão sendo julgados por crimes contra os direitos humanos.

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