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12/02/2010 - 17h27

Dia de luto no Haiti um mês depois do terremoto

Esta sexta-feira é dia nacional de luto no Haiti, em memória das 217.000 vítimas do terremoto que devastou o país há exatamente um mês, no momento em que se aproxima a temporada de chuvas e de furacões, causando temor em um milhão de pessoas desabrigadas.

"O Haiti não morrerá, o Haiti não pode morrer", disse o presidente haitiano, René Preval, que vestia uma roupa branca e usava um bracelete negro, em uma das várias cerimônias realizadas em Porto Príncipe lembrando um mês do terremoto.

A cerimônia, organizada na Universidade Notre Dame, na capital, foi transmitida pelo rádio e pelas redes de televisão do país. A intenção é marcar o primeiro mês depois do violento tremor, quando 12 milhões de haitianos ainda não têm onde morar.

O jornalista Marcus Garcia, diretor da Rádio Mélodie FM, que perdeu a mulher no terremoto, fez um dos discursos da cerimônia.

"Naquele 12 de janeiro a terra tremeu, e o Haiti caiu no vazio... Mas somos um povo muito orgulhoso e forte na adversidade, que demonstrou grande sentido de solidariedade", disse Garcia.

Centenas de milhares de pessoas, a maioria vestidas de branco, se reuniram desde as 06H00 da manhã (11H00 GMT) na praça Champs de Mars, perto das ruínas do Palácio Presidencial, em cujos arredores foi instalado um dos maiores campos de refugiados de Porto Príncipe. O número total de desabrigados é estimado em cerca de 1,2 milhão.

Para este dia de luto nacional, o povo haitiano foi convidado a participar das diversas cerimônias organizadas por vários templos religiosos, que abriram mais cedo nesta sexta-feira.

Em vários campos de refugiados, homens e mulheres se banhavam com baldes e jarros, para em seguida sair vestidos com suas melhores roupas. As pessoas caminham juntas, em família, rumando para um dos serviços religiosos organizados na capital.

Algumas missas foram programadas nas valas comuns onde milhares de corpos foram enterrados com urgência, nas cercanias da capital.

Os que perderam suas casas fecharam algumas ruas e se reuniram para rezar em frente a um altar improvisado.

"Todas as religiões do Haiti, desde o vuvu, aos católicos, aos batistas e os protestantes, estamos reunidos aqui para orar porque o Haiti agora tem riqueza espiritual na eternidade", disse um pastor na praça Champs de Mars, pregando para uma multidão que gritava "aleluia" e levantava as mãos para o alto com fervor.

Homens, mulheres e crianças choraram quando o religioso lembrou todos aqueles que "se foram para a eternidade" no dia 12 de janeiro.

Com o comércio fechado, a única atividade que seguia seu curso nesta sexta-feira era a distribuição de comida e água pela ONU, com a ajuda de várias ONGs.

O governo anunciou que pretendia instalar telas gigantes em algumas áreas da cidade para que os desabrigados possam acompanhar a cerimônia e prestar homenagem aos mortos, e pediu que todos se vistam de preto e branco.

Na quinta-feira, uma pesada chuva tropical, a primeira desde o tremor de terra de magnitude 7, complicou ainda mais a vida das pessoas que buscavam refúgio sob cobertores e tábuas.

A probabilidade de que um ou vários furacões mais fortes atinjam o Caribe é maior neste ano do que normalmente, advertiram os meteorologistas americanos, ressaltando a vulnerabilidade do Haiti.

A temporada de furacões, que dura de 1º de junho a 30 de novembro, "será mais intensa do que o normal", explicou William Gray, da Universidade do Colorado (oeste dos Estados Unidos).

Mas os haitianos devem antes enfrentar a estação das chuvas.

"O pior está diante de nós no Haiti", considerou o presidente da Cruz Vermelha Francesa (CRF) Jean-François Mattei, segundo o qual um "segundo drama se aproxima" com a chegada da temporada de chuvas dentro de seis semanas, com precipitações torrenciais, inundações e deslizamentos de terra.

"Com a chuva que favorece a propagação de doenças, a situação vai se tornar cada vez mais complicada", disse Richard Kowalske, médico da associação americana Helping Hands. "Esta noite, vimos muitas crianças com muito frio. Poderá haver mais casos de malária ou de febre tifóide".

Na Praça Champ de Mars, Démosthène Wisler, de 23 anos, mostrava na quinta-feira o seu refúgio: pedaços de madeira cobertos de panos em um terreno enlameado. "Ficamos todos molhados. Fui acordado e não consegui mais dormir", explicou à AFP depois de ter participado de uma manifestação para exigir tendas das autoridades.

Cerca de 50.000 famílias, ou seja, cerca de 272.000 pessoas, receberam até o momento materiais para que elas mesmas fabricassem uma casa improvisada, segundo a Agência de Coordenação da Ajuda Humanitária da ONU (Ocha).

Os dirigentes da UE, reunidos em Bruxelas, apoiaram na quinta-feira o lançamento de uma operação de assistência militar europeia para fornecer barracas aos desabrigados.

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