UOL Notícias Notícias
 

12/02/2010 - 15h00

Vínculos de ministros chilenos com empresas preocupam oposição

O maior desafio enfrentado agora pelo presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, é tirar as dúvidas em torno dos vínculos de seus ministros com as grandes empresas que deverão fiscalizar, estimam opositores e analistas políticos.

"No dia 11 de março, o Chile se converterá em Chile S.A.". A mensagem, contida num blog na internet, parece ilustrar os questionamentos sobre o novo gabinete, formado em grande parte por membros da direção e com participação econômica em sociedades.

Dos 22 que integram a equipe, pelo menos a metade tem vínculos com empresas, e 10 deles ocupam a direção de organizações relacionadas ao setor que deverão administrar, o que faz os opositores se preocuparem com conflitos de interesse.

Tratando de corrigir essa imagem, Piñera ordenou que os ministros renunciem aos seus cargos até o dia 28 de fevereiro, e pediu que se desfaçam de sua participação econômica em negócios que sejam fiscalizados ou tenham vínculos com os respectivos ministérios.

Piñera cumpriu na semana passada uma promessa eleitoral e pôs à venda 73% das ações que possui da companhia aérea LAN, e na quinta-feira anunciou que venderá ou irá se desfazer de seus títulos da Clínica Las Condes, onde o ministro da Saúde Jaime Mañalich é sócio minoritário.

Nas próximas semanas, o presidente eleito e sua equipe deverão demonstrar que seu novo estilo de fazer política inclui a construção de uma barreira forte e intransponível entre a política e os negócios, disse Patricio Navia, cientista político da Universidade Diego Portales.

"Dos clientes do escritório de advocacia do ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, ou da Justiça, Felipe Bulnes, até as empresas em cujas direções estiveram os ministros de Relações Exteriores, Transportes ou Fazenda, as novas autoridades deverão mostrar que não há conflitos de interesse", afirmou.

"Vários futuros ministros ocupam cargos em empresas privadas, incluindo algumas cujos lucros dependem de regulações determinadas, ao menos parcialmente, pelos próprios ministros. A renúncia a esses cargos é condição necessária para fortalecer a barreira entre negócios e política", acrescentou.

"Se você lida bem com o tema, seu governo será comparado ao do popular prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Se a barreira entre política e negócios funciona mal, inevitavelmente aparecerão as comparações com o governo de Silvio Berlusconi na Itália", afirmou.

Outro tema que tem sido motivo de críticas é a pequena trajetória política dos novos ministros, acusados de desconhecer os problemas dos cidadãos comuns, já que vêm de famílias ricas.

Para o líder do Partido Humanista (oposição), Tomás Hirsch, se não houve repartição política de cargos, "o mesmo não pode acontecer entre os grupos econômicos donos do país".

Hirsch - que não acredita na vocação pública do novo gabinete - se pergunta se os ministros conhecem, realmente, algum indígena originário do Chile que não seja a babá de seus filhos ou o jardineiro, ou se estiveram em áreas pobres para compreender o que o país precisa.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host