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15/02/2010 - 10h46

Marines avançam em Marjah contra francoatiradores e bombas

"No chão! No chão!", gritam os Marines norte-americanos, ao serem supreendidos pelas armas e pelos sons das balas. "AK, AK", gritam outros, indicando que os tiros vêm de kalashnikovs.

Três dias após o início da ofensiva Mushtarak (Juntos), a localidade de Marjah e a zona próxima a Nad Ali, principais objetivos, estão sob controle quase completo das forças afegãs e internacionais, segundo anunciou nesta segunda-feira um general afegão.

Entretanto, os soldados continuam perseguidos por francoatiradores talibãs e pelos famosos e temidos IED (siglas em inglês de Artefatos Explosivos Improvisados), fonte da maioria das baixas estrangeiras no Afeganistão.

No domingo, uma pequena patrulha de soldados parou frente ao que parecia uma bomba de fabricação caseira, que resultou ser uma armadilha para imobilizá-la e deixá-la sob o fogo dos francoatiradores talibãs, informou um fotógrafo da AFP presente na área.

A patrulha avança passo a passo em meio a imensos campos de papoula, matéria-prima do ópio, na periferia de Marjah, precedida por um cão treinado para farejar bombas.

Ao se aproximar das casas dos sítios da região, os Marines da companhia "Charlie", sob o comando do capitão Stephen Karabin, redobram o cuidado.

O objetivo "é entrar em contato com a população e com o inimigo", explica o oficial norte-americano.

"Aos habitantes queremos dizer que podem vir nos ver e conhecer os estrangeiros, e aos inimigos que estamos aqui e vamos derrotá-los", insiste Karabin.

Rapidamente o cão se excita, atraído sem dúvida pelo cheiro da pólvora, e se detém em frente à um monte. Não era uma bomba, mas cápsulas de Dragonov, um fusil de longo alcance russo, utilizado pelos talibãs.

Os americanos rodeiam a casa e os soldados afegãos que os acompanham inspecionam as instalações e os habitantes. As pessoas dizem que não viram nem escutaram nada.

"Quando os talibãs vêm nós vamos embora, é mais seguro", disse um deles. "Eles disparam contra vocês de nossas casas e vocês respondem", explica.

No domingo, a Otan reconheceu um erro dramático que custou a vida de 12 civis. Dois foguetes disparados de um caminhão, em resposta aos tiros de um francoatirador, destruíram uma casa próxima.

Perto do sítio, um sentinela vê um homem que faz sinais com uma pá. O tenente Toucey alerta suas tropas. "Um vigia assinala nossa presença aos talibãs!", grita, antes de começarem a ouvir as kalashnikovs.

Os Marines, alguns no chão, outros protegidos nas dunas, tentam localizar os francoatiradores, mas os afegãos não esperam e começam a disparar. "Parar de atirar, parar de atirar!", grita Toucey. "Antes de atirar precisamos saber contra quem e contra o que", explica.

Sob muitos tiros, os marines se espalham rapidamente, pegam com pressa as metralhadores de calibre pesado e pedem reforços.

Poucos minutos depois, um caça F18 lança uma bomba contra a posição dos francoatiradores, que provoca uma ensurdecedora explosão seguida por um longo silêncio.

Um soldado aponta para um canal de irrigação e grita: "De pé! De pé!". Da água surge um homem, que aparenta ter medo e sentir frio, com as mãos ao alto. "Queria abrir a bomba de água, escutei disparos e me escondi", explica o camponês ao tradutor, que transmite a informação a um agente de inteligência.

"Provavelmente é um vigia", explica um sargento, no momento em que recebe pelo rádio a mensagem de que o inimigo se retirou.

O avião passa pela última vez sob o local lançando sinais de que está tudo sob controle, e do solo os Marines gritam: "Happy Valentine Day!" (Feliz dia dos Namorados).

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