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17/02/2010 - 09h42

Amorim: após a emergência, apenas a ONU deve ficar no Haiti

Após as atividades de emergência no Haiti, apenas as forças da ONU devem ficar no país, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, em entrevista ao jornal espanhol El País, na qual também comentou a possibilidade de um acordo UE-Mercosul.

"Uma vez concluídos os trabalhos de emergência, o melhor é que fiquem apenas as forças da ONU", declarou o chanceler.

"Apesar da maior visibilidade nos meios de comunicação, seria um erro pensar que os Estados Unidos estão resolvendo a crise no Haiti. As forças americanas estão ajudando em uma emergência, como todos. Não é uma disputa", disse.

Amorim, que lembrou na entrevista que o Brasil acaba de aprovar um aumento do número de oficiais no país caribenho a 2.600 soldados, englobados na Missão de Estabilização da ONU no Haiti (MINUSTAH), também destacou que em 27 de janeiro afirmou no Conselho de Direitos Humanos da ONU que o maior desafio da comunidade é ajudar o Haiti preservando sua soberania.

"Queremos respaldar o papel do governo haitiano. Não deve apenas estar no comando, deve parecer que está. É importante que as pessoas vejam", insistiu Amorim.

O chanceler brasileiro, que participou na segunda-feira de um encontro ministerial União Europeia (UE)-Brasil com o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, e a Alta Representante de Política Externa europeia, Catherine Asthon, também se mostrou otimista sobre a possibilidade de um acordo comercial UE-Mercosul.

"Para maio acredito que poderemos ter as bases de um acordo comercial com números e inclusive detalhes em algumas áreas", disse Amorim, antes de ressaltar que "algumas questões já estão resolvidas desde 2005".

"Dificuldades como o sistema de subsídios agrícolas europeu continuam aí, mas podemos chegar a um acordo deixando de lado problemas como este, que devem ser resolvidos dentro da OMC (Organização Mundial do Comércio)", afirmou.

Ao ser questionado sobre uma afirmação do vice-chanceler uruguaio, Nelson Fernández, de que o acordo será concluído em dois anos, Amorim afirmou: "Aredito que estará pronto antes".

Na mesma entrevista, o ministro afirmou que o Brasil precisa da integração com a América do Sul, um processo que ele considera compatível com a liderança brasileira entre os países emergentes.

"O Brasil é grande, mas não suficientemente grande, necessita da integração com a América do Sul, disse.

"A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) conseguiu que sérios problemas não acabassem em conflito como em outras épocas", afirmou o chanceler, em referência, entre outras, à mediação brasileira nas recentes tensões entre Venezuela e Colômbia.

"A Unasul é importante e o Mercosul... mas também queremos intensificar nossas relações com China, Rússia, Índia e África do Sul. Não somos apenas exportadores de matérias primas. Hoje o Brasil produz aviões na China e a Índia fabrica remédios em nosso país", disse.

Ao ser perguntado se as relações do Brasil podem prejudicar as alianças com os vizinhos continentais, Amorim se mostrou convencido de que isto "não é excludente".

"Há um impulso para que o sistema de governabilidade do mundo mude. O G-20 substituiu o G-8. Em temas de segurança acontecerá o mesmo".

"A reforma do Conselho de Segurança acabará acontecendo e também a dos organismos de supervisão financeira", afirmou o ministro, antes de completar que "o Fundo Monetário Internacional (FMI) já está mudando".

"Brasil, Rússia, Índia e China aportam recursos ao organismo. Há 10 anos dependíamos do que o Fundo nos desse e agora emprestamos dinheiro", concluiu o chanceler.

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