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18/02/2010 - 18h15

Libertado apresentador da BBC que abreviou a vida do amante com Aids

O ex-apresentador britânico de rádio e televisão que admitiu ter asfixiado o amante em fase terminal de Aids, para abreviar o sofrimento dele, foi libertado nesta quinta-feira, depois de ter sido detido ontem, anunciou a polícia.

Ray Gosling "foi posto em liberdade. A polícia deverá proceder a outras verificações", declarou Digby Johnson, advogado de defesa.

"Forneceu muitas informações", acrescentou, explicando que seu cliente, agora, estava "esgotado".

Durante um programa da BBC consagrado ao suicídio assistido, exibido na segunda-feira, Ray Gosling confessou ter acabado com os sofrimentos de um homem - não identificado -, hospitalizado em estado grave "na época inicial da epidemia da Aids", provavelmente nos anos 1980.

A polícia de Nottinghamshire (centro da Inglaterra, onde mora) deteve na quarta-feira o apresentador, de 70 anos, por suspeita de assassinato.

A confissão de Ray Gosling, conhecido por seus documentários de temática social para a BBC, põe mais um ingrediente no debate sobre a autorização ou não da eutanásia para pessoas com doenças terminais na Grã-Bretanha.

No início do mês, o popular escritor Terry Pratchett, doente de Alzheimer, propôs que se criem tribunais de eutanásia com o poder de autorizar as pessoas próximas aos doentes incuráveis a ajudá-los a por fim em sua vida.

"Em um hospital em uma tarde quente, o médico disse 'Não podemos fazer nada', e ele estava com dores terríveis", disse no programa, exibido na segunda-feira.

"E eu disse ao doutor: 'Deixe-me só um momento' e ele se foi", explicou antes de afirmar: "Peguei o travesseiro e o asfixiei".

Gosling disse na terça-feira em uma emocionada entrevista à rádio BBC que matou seu ex-amante em cumprimento a "um acordo".

"Tínhamos um acordo que se chegasse a esse ponto eu terminaria com sua vida, e foi o que eu fiz", explicou.

A morte assistida é ilegal na Inglaterra e no País de Gales, e pode acarretar penas de até 14 anos de prisão.

A justiça britânica contribuiu em setembro passado com algumas soluções para esta lei ao anunciar que as pessoas que ajudam alguém próximo a morrer provavelmente não enfrentarão ações judiciais se esse gesto for motivado pela compaixão ou se o desejo do doente não deixar lugar à dúvidas.

Mas os defensores da eutanásia pedem ainda mais clareza. Os opositores, no entanto, afirmam que qualquer modificação da lei colocaria os doentes graves ou terminais em uma posição vulnerável.

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