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18/02/2010 - 16h54

Yvo de Boer, o mediador da ONU que depositou toda sua esperança em Copenhague

O holandês Yvo de Boer, que nesta quinta-feira anunciou sua demissão do posto de autoridade máxima das Nações Unidas para as mudanças climáticas, teve o futuro do planeta em suas mãos, mas não o poder de impor aos países um acordo de combate ao aquecimento global.

Secretário executivo do Painel das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) desde setembro de 2006, De Boer anunciou que a partir de 1º de julho não será mais o ocupante do cargo, e que começará a trabalhar para um grupo de consultoria KPMG e a colaborar para várias universidades.

Sua decisão chega dois meses depois da cúpula de Copenhague, realizada de 7 a 19 de dezembro de 2009, vista como uma decepção e mesmo como um fracasso por muitos de seus participantes.

Até o último momento, De Boer defendeu a esperança de alcançar um avanço significativo que levasse a um novo tratado internacional para reduzir as emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa, e que fosse capaz de ajudar países mais pobres a se adaptarem ao impacto do aquecimento global.

Embora a habilidade de negociador deste discreto diplomata holandês de 55 anos, pai de três filhos, tenha sido fundamental para reunir os 194 países membros do IPCC na mesma mesa de discussões, seu cargo não contava com o poder necessário para impor decisões.

"Agora é o momento de agir contra o aquecimento global", repetia um enfático e incansável De Boer, desde que a conferência do IPCC de Bali, em 2007, conseguiu estabelecer um roteiro de negociações que deveria colher os primeiros frutos no encontro de Copenhague.

Trata-se, afirmava, de salvar "nosso planeta das devastadoras consequências do aquecimento". Muito pressionado em Bali, ele chegou a sofrer uma crise nervosa e explodiu em lágrimas diante da frustração de não conseguir superar as divergêncoas entre as partes negociadoras.

Nascido em Viena, na Áustria, em 1954, filho de um diplomata holandês, Yvo de Boer viajou com a família por todo o mundo antes de ingressar em um colégio interno britânico, matriculando-se depois em uma universidade holandesa para se formar em Serviço Social.

Antes de ser secretário executivo do IPCC, De Boer desempenhou várias funções na ONU. Foi vice-presidente da Comissão da ONU para o Desenvolvimento Sustentável e diretor do Escritório de Informação da ONU para América do Norte e Caribe.

Desde 1994, o diplomata focava seu trabalho em questões ligadas às mudanças climáticas.

"Sempre tive uma política na minha vida, de testar coisas completamente diferentes a cada três ou quatro anos", explicou De Boer sobre sua decisão de disputar um cargo no ministério holandês do Meio Ambiente, em 1994.

"Para minha grande surpresa, consegui o posto. Não sabia nada sobre aquecimento global, absolutamente nada", admitiu, em uma entrevista à AFP.

Em meados dos anos 90, o aquecimento global apenas começava a receber atenção da mídia e do público a nível internacional, mas De Boer se interessava especialmente por formas de combinar os esforços de redução de emissões dos gases causadores do efeito estufa a metas de desenvolvimento, sobretudo nos países mais pobres, que sempre defendeu.

Antes da assinatura do Protocolo de Kyoto, em 1997, De Boer participou das negociações para definir a postura da União Europeia (UE) em relação às metas de redução de emissões.

Em setembro de 2006, foi designado para o secretariado executivo do IPCC pelo então secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

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