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21/02/2010 - 11h13

EUA adotam nova estratégia para Afeganistão com apoio a antigo inimigo

No esforço renovado para apaziguar o Afeganistão com a "realpolitik", os Estados Unidos estão ajudando um antigo inimigo a tomar o controle de um distrito na fronteira com o Paquistão, em uma estratégia que divide militares e analistas independentes.

O apoio ao mulá Sadiq como homem forte do distrito de Kamdesh, na parte oriental da província do Nuristão, é parte de um plano mais amplio de estabilização do país, que permita a partida das forças internacionais.

Sadiq, que diz ter o desejo de se aliar ao presidente Hamid Karzai na luta contra os talibãs, é um ex-comandante do grupo Hizb e-Islami, responsável durante anos por ataques contra a coalizão, as tropas afegãs e até civis.

Altos comandantes militares acreditam que Sadiq pode aglutinar a população do Nuristão ao redor de Karzai e transformar a região na vanguarda de uma mudança de direção na estratégia antitalibã.

Mas este ponto de vista não é compartilhado por alguns dos altos funcionários do Departamento de Estado, nem por especialistas independentes, que temem que Sadiq esteja em busca de uma mera aliança temporária com Washington para derrotar as facções talibãs locais e depois transformar a região em seu feudo privado.

"Sadiq obteve um amplo apoio popular enfrentando os talibãs", afirma o comandante Russell McCormack, um dos principais nomes da Equipe de Reconstrução Provincial do Nuristão.

"É influente, inteligente, além de praticar a diplomacia e um islã verdadeiro, ao invés da forma bárbara que professam os talibãs", acrescenta McCormack, de Kalagush, a única base americana no Nuristão.

No momento em que a coalizão coloca em risco a credibilidade na ampla ofensiva em Marjah, reduto talibã do sul do país, o professor Richard Strand, um especialista na cultura do Nuristão, afirma que o otimismo ao redor de um acordo com Sadiq revela o desespero crescente em Washington.

"Estamos dizendo que mudamos este homem, e agora está aí tentando convencer as pessoas a abandonar os talibãs e a Al-Qaeda, e a apoiar o governo. Tenho sérias dúvidas sobre este plano", disse à AFP por telefone do Arizona o professor Strand, que visita o Nuristão regularmente desde 1967.

Washington decidiu apoiar Sadiq, chefe do conselho de Kamdesh, depois de perder oito soldados em um ataque no mesmo distrito, justo no momento em que se retirava do centro e leste do Nuristão.

"O Exército está muito feliz com Sadiq e quer colocá-lo e seus apoios do lado do governo", explica um funcionário do Departamento de Estado que pediu anonimato.

"Mas Sadiq representa uma mudança? Ou é simplesmente um cara inteligente que se serve de qualquer aliança para se impor sobre seus inimigos, os talibãs locais, e que depois fará o que tiver vontade?", questiona.

Em troca da ajuda, Sadiq pediu o direito de nomear os chefes de polícia e os administradores locais.

"O Exército vê o mulá Sadiq como a voz do povo, mas na realidade é o senhor de guerra local, e se nomear os chefes de polícia e funcionários, estas pessoas terão uma dívida com ele", afirma a mesma fonte.

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