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22/02/2010 - 10h32

Irã construirá duas usinas de enriquecimento de urânio nas montanhas

O Irã anunciou nesta segunda-feira a intenção de iniciar em março a construção de duas novas usinas de enriquecimento de urânio, que ficariam escondidas nas montanhas para evitar ataques aéreos.

O anúncio foi feito por Ali Akbar Salehi, diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), pouco depois do general David Petraeus, comandante das forças americanas no Iraque e no Afeganistão, afirmar que os Estados Unidos aplicarão de agora em diante "a via da pressão" para evitar que o Irã dê continuidade a seu programa nuclear.

"Se Deus quiser, será possível começar no próximo ano iraniano a construção de duas usinas de enriquecimento, por ordem do presidente Mahmud Ahmadinejad", declarou Salehi.

O ano iraniano começa em março.

"Cada uma destas duas usinas terá a mesma capacidade que a usina de enriquecimento de Natanz", indicou. A instalação de Natanz, a única no Irã, atualmente, pode operar com até 50.000 centrífugas.

"Contemplamos utilizar novas centrífugas nestas duas usinas", acrescentou Salehi, antes de informar que "as novas usinas serão construídas no coração das montanhas" para que fiquem "protegidas contra qualquer ataque".

Em novembro do ano passado, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad anunciou que seu país construiria dez novas usinas de enriquecimento de urânio, depois dos enérgicos protestos das grandes potências contra a construção de uma segunda usina de enriquecimento iraniano, perto da cidade sagrada xiita de Qom.

De acordo com o último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã instalou em Natanz 8.610 centrífugas, 3.772 das quais estão enriquecendo urânio sob sua supervisão.

Na frente diplomática, as nações europeias reunidas em Bruxelas pareciam divididas nesta segunda-feira sobre a questão de aumentar as sanções contra o Irã.

"Lamentavelmente, todas as ações da parte iraniana nas últimas semanas confirmam que devemos impulsionar (mais) sanções", afirmou o ministro francês de Assuntos Europeus, Pierre Lellouche.

No entanto, vários de seus pares europeus disseram que as vias diplomáticas ainda não estavam esgotadas, e insistiram na necessidade de uma decisão do Conselho de Segurança.

No domingo, Petraeus afirmou que os Estados Unidos aumentarão a pressão sobre a República Islâmica. Junto com Israel, seu principal aliado no Oriente Médio, Washington não descarta, por outro lado, a organização de ataques militares contra as instalações nucleares iranianas.

As grandes potências suspeitam que o Irã esteja enriquecendo urânio para fabricar armas nucleares, acusação rejeitada por Teerã.

O urânio enriquecido pode ser utilizado como combustível nos reatores nucleares ou de forma altamente refinada para produzir o núcleo físsil de uma bomba atômica.

O Irã descarta iniciar uma guerra, mas responderá "com brutalidade" a qualquer ataque, afirmou o vice-chanceler iraniano Ali Ahani, em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal croata Vecernji List.

"É claro que o Irã não começará uma guerra. Mas, se formos atacados, responderemos com brutalidade", disse Ahani, sem mencionar explicitamente Israel.

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