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22/02/2010 - 17h29

Origem da futura OEA sem EUA: do Panamá en 1826 ao Brasil em 2008

O novo bloco regional sem os Estados Unidos que os países da América Latina e do Caribe tentam criar na conferência de Cancún responde a um desejo surgido desde o século XIX, mas que começou a se concretizar há dois anos no Brasil.

Em 2008, por iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi realizada na Bahia uma conferência da América Latina e Caribe, que congregava fundamentalmente o chamado Grupo do Rio e os países do Caricom.

"Creio que esse processo de integração que estamos fazendo na América do Sul, na América Latina e agora incluindo o Caribe é a mais importante possibilidade que temos de fortalecer nosso continente", afirmou Lula no domingo, em seu habitual programa "Café com o presidente" em Cancún.

Essa experiência foi reforçada por uma carta enviada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, aos outros presidentes do grupo, para que criem um organismo que aja de forma independente da Organização dos Estados Americanos (OEA), que sofre influência constante de Washington, lembrou o chanceler equatoriano Ricardo Patiño.

O Equador fez essa solicitação por considerar que a causa dessa influência, a OEA, dificilmente poderia atuar para deter uma nova intervenção da Colômbia, país com o qual rompeu relações diplomáticas em 2008, após uma incursão militar para atacar um acampamento guerrilheiro no norte equatoriano.

Na reunião da Bahia, Cuba, junto com a Jamaica e o Suriname, se integraram ao Grupo do Rio, e nesta segunda-feira foi iniciado o trabalho para concretizar o bloco regional na reunião na zona turística de Cancún, no México.

"Se esta conferência puder tomar a decisão de criar uma nova organização genuína e unicamente latino-americana, será dado um grande passo histórico", disse o chanceler cubano Bruno Rodríguez ao jornal de esquerda mexicano La Jornada.

"A concepção de que a América Latina e o Caribe são uma região que deve ter vida e voz própria, que não são o quintal dos Estados Unidos, será uma razão suficiente para apoiar esse projeto", acrescentou.

Cuba não participa ativamente da OEA, ainda que o organismo tenha retirado no ano passado uma sanção contra a ilha adotada em 1963.

"Diferente de uma OEA, muito institucional, está-se pensando em um fórum de acordos políticos, ainda que ainda não se tenha claro o que se busca com a fusão dos diversos mecanismos" já existentes, explica Olga Pellicer, ex-representante do México na ONU e agora professora universitária.

Por outro lado, a especialista em relações internacionais da Universidade Autônoma do México (UNAM), María Cristina Rosas, ressaltou a importância de que o Brasil e o México, os dois gigantes que concentram 50% da população da região e 70% de seu Produto Interno Bruto (PIB), sejam os avalizadores do processo.

O México encontrou no processo uma forma de "não voltar a cair nos mecanismos regionais que sempre emanam do Sul" e aproveitou para "conseguir que se desenvolva em seu território a decisão política" para organizar o futuro bloco, disse Rosas.

O presidente mexicano Felipe Calderón, ao iniciar a reunião, lembrou também que "a ideia da unidade latino-americana é compatível com nossos processos de independência, cujo segundo centenário celebramos agora" e lembrou o legado de heróis como José de San Martín, Miguel Hidalgo e Simón Bolívar.

Foi justamente Bolívar quem organizou no Panamá em 1826 a primeira reunião que tentou criar uma confederação latino-americana, não convidando abertamente os Estados Unidos.

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