UOL Notícias Notícias
 

24/02/2010 - 10h17

Karzai abre nova polêmica ao assumir controle de órgão eleitoral

A decisão do presidente Hamid Karzai de assumir o controle do principal organismo de vigilância eleitoral do Afeganistão provocou a consternação de diplomatas e analistas, que viam a redução das possibilidades de eleições livres.

O presidente Hamid Karzai mudou a lei para assumir o controle da Comissão de Queixas Eleitorais (ECC), um organismo que desconsiderou mais de meio milhão dos votos atribuídos a ele nas eleições do ano passado denunciados como fraudulentos.

A emenda permite a Karzai nomear os cinco membros da ECC. Na legislação anterior, três membros foram designados pela Missão de Assistência da ONU no Afeganistão.

O ex-representante da ONU no Afeganistão Peter Galbraith considerou que o Ocidente deverá condicionar sua ajuda financeira até que a ECC recupere a composição anterior.

"A comunidade internacional deverá insistir para que a comissão eleitoral seja realmente independente, e não nomeada por ele", disse à BBC Galbraith, que deixou o cargo após as eleições fraudulentas do ano passado.

"Se a ECC não tem mais três de seus cinco membros nomeados pelas Nações Unidas, não devemos pedir aos contribuintes dos Estados Unidos e de outros países que paguem por eleições falsas", acrescentou.

A segunda eleição presidencial na história do Afeganistão, realizada no mês de agosto, foi denunciada como uma farsa e mergulhou o país em uma crise política durante meses, até que Karzai foi declarado presidente pela Comissão Eleitoral Independente (IEC) e voltou a ocupar seu posto a partir de novembro.

A eleição custou cerca de 300 milhões de dólares às Nações Unidas e a ECC cancelou cerca de um terço dos votos a favor de Karzai - meio milhão de cédulas - por fraude.

A decisão levou à convocação de um segundo turno, que foi cancelado quando o outro candidato, Abdullah Abdullah, se retirou, acusando a IEC, também nomeada por Karzai, de ser parcial.

Abdullah pediu nesta quarta-feira que a comunidade internacional "pressione (o presidente Karzai) para que realize um processo transparente". "Espero uma mudança concreta na forma como a comissão eleitoral (IEC) é nomeada e no sistema eleitoral", declarou em Paris.

O decreto aprovado na semana passada também provocou críticas no país. O analista político Ahmad Sayedi considerou que "compromete completamente a natureza democrática e independente de ambos os organismos".

"A ECC já não será independente", acrescentou.

O porta-voz de Karzai, Siamak Herawi, justificou a iniciativa ao ressaltar que se trata de assegurar que a ECC seja um organismo realmente afegão.

"Com estrangeiros na comissão não se tratava de um organismo nacional nem afegão. Então, para 'afeganizar' o processo, o presidente mudou alguns artigos da lei", disse Herawi à AFP na terça-feira.

"Alguns artigos da lei recebera emendas e o presidente assinou e aprovou", disse Herawi.

Perguntado sobre quem nomearia para o novo painel segundo a nova lei, respondeu: "o presidente".

O governo afegão adiou para setembro as eleições legislativas originalmente previstas para maio, entre pedidos de reformas eleitorais e preocupação com a corrupção crescente.

A Grã-Bretanha, com 9.500 tropas no Afeganistão, pediu a Cabul que garante a independência dos organismos eleitorais.

"Continuaremos trabalhando com as Nações Unidas e com o governo afegão para dar todos os passos necessários para ajudar a constituir instituições eleitorais afegãs independentes", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,71
    3,168
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,12
    68.634,65
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host