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24/02/2010 - 23h07

Lula revela que 'companheiro' Fidel está 'bem'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conversou nesta quarta-feira durante mais de duas horas com Fidel Castro, destacou que o líder cubano está "bem" e com ainda "mais disposição" em relação ao encontro precedente, em outubro de 2008.

"Minha reunião com ele (Fidel Castro) foi uma reunião de velhos amigos, de velhos companheiros. Ele é muito interessado nas coisas do Brasil. Tivemos uma 'pequena conversa' de duas horas e meia, revelou Lula à AFP em Havana.

"Trocamos muitas ideias, discutimos muitos assuntos, incluindo cana-de-açúcar, soja, leite, eletricidade, e pude constatar que ele está bem, com mais disposição que da outra vez. Estou muito feliz", destacou o presidente brasileiro.

Fidel está afastado da vida pública desde 2006, devido a um grave problema de saúde.

A reunião, que contou com a participação do presidente cubano, Raúl Castro, ocorreu na casa de Fidel em Miramar, no oeste de Havana.

Fidel, 83 anos, recebeu Lula vestido com um agasalho esportivo com as cores de Cuba (azul e branco).

No total, 12 fotos do encontro foram divulgadas pelo site da presidência do Brasil e pelo site cubano Cubadebate.cu, onde Fidel aparece conversando com Lula, com seu irmão Raúl e com o ministro brasileiro das Comunicações, Franklin Martins.

Durante a jornada de hoje, Lula lamentou "profundamente" a morte do preso político cubano Orlando Zapata, falecido na véspera após dois meses e meio de greve de fome, mas disse ignorar qualquer carta da dissidência pedindo sua intervenção na questão dos prisioneiros cubanos.

"Lamento profundamente que uma pessoa tenha morrido por greve de fome", destacou Lula, antes de afirmar que não recebeu "qualquer carta" pedindo sua intervenção na libertação de presos políticos.

"Se as pessoas se dirigissem à embaixada brasileira (...), se tentassem entrar em contato comigo, jamais deixaria de atendê-las. O que não posso é chegar a um país e me reunir com um grupo de pessoas que disseram que falaram comigo quando não falaram".

"A solidariedade faz parte da minha vida e nunca deixo de tratar destes assuntos", garantiu Lula.

Ao menos 50 presos políticos pediram ao presidente brasileiro, em carta aberta, que intercedesse pela libertação dos dissidentes cubanos e se envolvesse no caso de Zapata, um pedreiro negro de 42 anos detido em 2003 e condenado a 32 anos de prisão por "desacato" ao governo e "desordem pública".

Na carta, os dissidentes presos também destacam que Lula "seria um magnífico interlocutor" para se obter do governo cubano "as reformas econômicas, políticas e sociais urgentemente requeridas" na Ilha.

Em um ato celebrado no Porto de Mariel, Raúl Castro disse ao lado de Lula que a morte de Zapata "foi resultado dessa relação com os Estados Unidos".

O presidente cubano "lamentou" a morte de Zapata, mas garantiu que em Cuba "não existem torturados, não houve torturados, não houve execução". "Isso acontece na base (americana) de Guantánamo".

Lula inaugurou hoje obras no porto de Mariel, 50 km a oeste de Havana, de onde saíram 125 mil cubanos em 1980 e em cuja modernização o governo brasileiro investe 300 milhões de dólares.

O presidente brasileiro percorreu com Raúl Castro o porto de águas profundas localizado na costa norte, que pretende substituir o de Havana como o principal da Ilha através do projeto financiado pelo Brasil

Após chegar na noite de terça-feira a Havana vindo do México, onde participou da Conferência do Grupo do Rio, Lula iniciou em Mariel sua intensa agenda em Cuba.

A modernização do Mariel, que custará 600 milhões de dólares no total, permitirá que embarcações muito grandes para o porto de Havana atraquem ali.

Esta é a quarta viagem de Lula a Cuba desde que chegou à presidência, em janeiro de 2003.

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