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24/02/2010 - 06h49

México e Brasil iniciam processo para associação estratégica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega mexicano, Felipe Calderón, anunciaram na noite de terça-feira o início de um processo para uma associação estratégica, apesar das expectativas apontarem para o lançamento de negociações para um tratado de livre comércio.

"Nossos governos concordaram em iniciar o processo formal de trabalho para evaliar e determinar as áreas de oportunidades, os alcances, benefícios e sensibilidades de um acordo estratégico de integração econômica entre Brasil e México", anunciou Calderón ao lado de Lula, ao fim de uma reunião bilateral à margem da reunião de Unidade da América Latina e Caribe, em Cancún.

Lula havia manifestado ainda no Brasil o desejo de iniciar as negociações para um acordo de livre comércio entre as duas maiores economias latino-americanas, que concentram 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da região e 50% da população.

"Neste processo estará a análise serena (...) que nos permita ver e avaliar os prós e os contras de um possível acordo de livre comércio, mas não podemos antecipar", destacou Calderón.

Uma das intenções do governo mexicano é diversificar o comércio e a política externas, mas o empresariado do país tem receio neste caso, ao citar o que considera um 'histórico protecionismo' do Brasil, que sempre impôs obstáculos a seus produtos.

"Não tenham medo do Brasil. O Brasil não é mais perigoso que muitos sócios que o México tem e o México não é mais perigoso que muitos sócios que o Brasil tem", declarou Lula.

"Desde o mandato de Vicente Fox (presidente mexicano, 2000-2006), sonho que o México tenha um olhar voltado para a América Latina", completou Lula, que dificilmente verá concretizado seu desejo antes do fim de seu mandato.

Também pediu aos mexicanos, em particular ao setor empresarial, que "olhem mais para a América do Sul e para o Brasil".

"Não têm motivo para ficar esperando a recuperação dos Estados Unidos, têm que buscar outras opções", alertou aos mexicanos.

Mais de 80% das exportações mexicanas têm como destino os Estados Unidos.

"Não somos adversários, muito menos inimigos. Temos todas as condições para ser aliados", insistiu o presidente do Brasil.

"Se o México quer crescer tem que buscar oportunidades no mundo, sobretudo em economias emergentes e poderosas como a do Brasil", concordou Calderón.

Antes do encontro de Lula e Calderón, o presidente da petroquímica brasileira Braskem, Bernardo Gradin, anunciou um investimento de 2,5 bilhões de dólares no México para a construção, em parceria com a mexicana Idesa, de um complexo petroquímico em Veracruz.

Os presidentes consideraram o anúncio "histórico" e uma demonstração do potencial das relações econômicas e comerciais entre os dois países.

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