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24/02/2010 - 10h03

Sete comandantes militares indiciados por suposto complô na Turquia

Sete comandantes militares, dois deles na ativa, foram indiciados na madrugada desta quarta-feira por um tribunal de Istambul por suspeita de conspiração contra o governo conservador turco, um caso que reativa o conflito entre o Executivo e as Forças Armadas.

Dois almirantes da ativa, dois almirantes e um general da reserva, assim como dois ex-coronéis, estão entre os oficiais acusados de pertencer a uma organização clandestina que teria como objetivo derrubar o governo, informaram a agência semioficial Anatolia e canais de televisão.

Outros 20 suspeitos estavam sendo interrogados.

Ao mesmo tempo, o tribunal liberou seis militares detidos durante uma operação sem precedentes contra 49 oficiais acusados pelo planejamento, em 2003, de um complô contra o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, integrante do movimento islâmico), no poder desde 2002.

O plano, batizado "Martelo de Forja", foi revelado por um jornal em janeiro. O Exército negou a tentativa de golpe e denunciou o que chamou de 'absurda campanha de desprestígio', construída a partir de um cenário imaginário de simulação de guerra utilizado para a formação de militares.

O suposto plano contemplava que um caça turco fosse abatido sobre o mar Egeu. Depois a aviação turca seria acusada e bombas seriam colocadas em mesquitas de Istambul para estimular uma situação de caos, e justificar assim um golpe de Estado.

A ofensiva judicial, a mais importante da história contra o Exército, é mais uma de uma longa série de investigações sobre supostos complôs para derrubar o AKP.

As investigações foram criticadas pelos que temem que tudo não passe de uma tentativa de calar os defensores do laicismo, e estimular a islamização da Turquia.

A prisão dos militares, em um país onde o Exército é considerado o garantia do regime laico, aumentou a tensão entre partidários do governo e a oposição laica.

O general Ibrahim Firtina, ex-comandante da Força Aérea, e o almirante ?zden ?rnek, ex-comandante da Marinha, que estão entre os detidos, podem ser interrogados pala procuradoria e colocados à disposição de um tribunal, de acordo com a imprensa.

O Estado-Maior das Forças Armadas reagiu na terça-feira às detenções e convocou uma reunião extraordinária de todos os generais e almirantes para avaliar o caso, que chamou de "situação greve".

Analistas militares consideram que a reunião, de caráter excepcional, tem como objetivo expressar apoio moral aos oficiais detidos, mas sem desejar interferir em um processo judicial em curso.

O comandante do Estado-Maior, Ilker Basbug, declarou que o Exército respeita o Estado de direito e que a época dos golpes de Estado ficou para trás na Turquia, país que aspira entrar para a União Europeia (UE).

O Exército turco - o segundo maior em número de oficiais da Otan, atrás dos Estados Unidos - tem 15 generais e almirantes. Desde 1960 derrubou quatro governos.

A Comissão Europeia se declarou preocupada com as acusações e pediu uma investigação exemplar.

Washington também pediu um "processo transparente".

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