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25/02/2010 - 12h57

Enterrado em Cuba preso político morto após greve de fome

O preso político Orlando Zapata, que morreu na terça-feira após uma greve de fome de dois meses e meio, foi enterrado nesta quinta-feira na cidade de Banes, 850 km ao leste de Havana, sob intensa vigilância dos agentes de segurança e em meio a prisões domiciliares, contou à AFP a mãe do dissidente, Rosa Tamayo.

Acompanhada de dezenas de pessoas, Rosa Tamayo, de 60 anos, esteve à frente do cortejo, num percurso de poucos quilômetros, de sua casa ao cemitério de Banes, para onde o corpo foi levado em carro fúnebre.

"Acabamos de sepultá-lo, muitos irmãos (dissidentes) me acompanharam, mas sofremos repressões até o último instante do percurso", disse Rosa Tamayo, 60 anos, muito emocionada, por telefone desta localidade na província oriental de Holguín.

"Queríamos carregar meu filho nos braços, mas não pudemos", contou.

Em ato incomum, o presidente cubano Raúl Castro lamentou na quarta-feira a morte de Zapata, mas irritou mais uma vez a comunidade internacional ao negar a prática de torturas em Cuba, responsabilizando por esse tipo de situação o governo dos Estados Unidos, o qual acusou de financiar a oposição com 50 milhões de dólares anuais.

"A morte de meu filho tem que me dar muita força, valor. Esta mãe não admite nenhuma mensagem de condolências de Raúl Castro, porque eles mataram meu filho", disse Tamayo, que teve a casa vigiada por dezenas de agentes de segurança.

Zapata, um pedreiro de 42 anos, morreu no hospital de Havana para o qual foi transferido da prisão em consequência das sequelas da greve de fome que iniciou em dezembro para protestar contra as condições carcerárias.

Era considerado pela Anistia Internacional um dos 55 "prisioneiros de consciência" dos 200 presos políticos de Cuba.

Logo após a morte, mais de 30 dissidentes foram detidos temporariamente, muitos em suas casas, para impedir que participassem do funeral", disse Elizardo Sánchez, da Comissão de Direitos Humanos (CCDHRN), considerada ilegal no país.

A polícia se posicionou nos arredores da casa de Rosa Tamayo, na funerária, no cemitério e na entrada da aldeia, relatou à AFP Berta Soler, do grupo Damas de Branco - formada por esposas de presos políticos - que foi a Banes junto com outas opositoras como Martha Beatriz Roque, para expressar condolências.

Em Havana, presos políticos já libertados e opositores colocaram faixas negras nas portas de suas casas e acenderam velas diante de um retrato de Zapata, como aconteceu na residência de Laura Pollán, uma das líderes das Damas de Branco, que abriu um livro de mensagens de pêsames; até agora havia 135 assinaturas.

"Que esta atrocidade lance luz sobre os presos de consciência e por motivos políticos que ainda estão nos cárceres cubanos", escreveu no livro Yoani Sánchez, que se tornou famosa por seu blog.

Zapata é o primeiro preso político a morrer nas prisões da Ilha desde 1972, quando faleceu o dissidente Pedro Luis Boitel, depois de 53 dias de greve de fome.

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