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25/02/2010 - 13h42

Novo fórum latino-americano sem EUA gera mais perguntas que respostas

  • Líderes latino-americanos concordaram essa semana em criar bloco sem EUA e Canadá

    Líderes latino-americanos concordaram essa semana em criar bloco sem EUA e Canadá

O novo fórum político organizado na América Latina sem a presença de Estados Unidos e Canadá suscita mais perguntas do que respostas, de acordo com especialistas em Washington, enquanto que o governo de Barack Obama mantém silêncio prudente.

"Eu não diria que é uma ameaça, e sim um desafio, mas não só para os Estados Unidos, como também para os próprios países latino-americanos", considera Michael Shifter, presidente do centro de análises Diálogo Interamericano.

O novo fórum, que não tem forma nem regras definidas, foi aprovado na cúpula do Grupo do Rio desta semana em Cancún (México), que reúne 32 países.

Os estatutos devem ser debatidos em uma nova reunião em Caracas em 2011, o que para alguns analistas não acontecerá por acaso.

"O Grupo do Rio não inclui os Estados Unidos, mas sim Cuba, e isto só beneficia (o presidente venezuelano Hugo) Chávez", critica Jaime Daremblum, diretor para Assuntos Latino-Americanos do Instituto Hudson.

A principal vítima poderá ser a Organização de Estados Americanos (OEA), que, segundo o presidente boliviano Evo Morales, "agoniza".

A autoridade democrática da organização ficou fortemente comprometida com o recente golpe de Estado em Honduras, condenado por unanimidade por todos os membros (incluindo Estados Unidos), mas do qual o governo de fato saiu imune.

No entanto, a OEA conta com uma Carta Democrática desde 2001, que ajudou a definir um objetivo comum na região após a Guerra Fria do século XX, considera Shifter.

"É preciso saber com que tipo de documento trabalharão em Caracas" que possa ter a mesma ambição dessa Carta, que continua vigente apesar de todas as controvérsias, advertiu o especialista.

O que mais faz falta são órgãos para dirimir conflitos em uma região que mostra mais do que nunca uma grande diversidade política, consideram os técnicos.

A disputa verbal em Cancún entre o presidente venezuelano Chávez e seu colega colombiano Alvaro Uribe é uma prévia do que poderá ocorrer no fórum.

"Tudo isso seria superável se existisse um interesse real em regular a OEA. No entanto, alguns atores importantes na região, principalmente o Brasil, parecem totalmente desinteressados pela organização", afirma Kevin Casas-Zamora, do Brookings Institut.

Esse especialista considera que pode interessar aos Estados Unidos a criação de um fórum de disputas, enquanto aprofundam suas relações com os grandes protagonistas regionais, como Brasil e México.

Um novo bloco "não é um problema para os Estados Unidos", assegurou nesta semana o secretário de Estado adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela.

De qualquer forma, o fórum acrescentará provavelmente mais uma cúpula à carregada lista de reuniões da região, entre a Cúpula das Américas, a Iberoamericana e outras parciais, como a da Unasul ou do grupo Alba.

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