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25/02/2010 - 11h56

Primeira reunião oficial Índia-Paquistão desde os atentados de Mumbai

Índia e Paquistão retomaram oficialmente nesta quinta-feira as negociações bilaterais para tentar reativar um difícil diálogo de paz, interrompido em novembro de 2008 após os atentados de Mumbai, que deixaram 166 mortos.

Ao término da reunião com seu colega paquistanês, Salman Bashir, a secretária indiana das Relações Exteriores, Nirupama Rao, declarou que estas primeiras negociações oficiais entre os dois países em 14 meses são "uma primeira etapa".

"Começamos com o objetivo de lançar uma primeira etapa para a reconstrução da confiança, e creio que minha reunião com o secretário paquistanês das Relações Exteriores representa esta primeira etapa", disse Rao em uma entrevista coletiva à imprensa depois da reunião.

"Decidimos manter contato", acrescentou, classificando as negociações de "úteis, francas e profundas".

Nirupama Rao disse que havia insistido sobre a questão do terrorismo e que transmitiu a Bashir documentos pedindo medidas adicionais contra os responsáveis pelos atentados de Mumbai.

Já Salman Bashir considerou "injusto" que a Índia dê ênfase aos atentados de Mumbai, o que segundo ele compromete os esforços para a retomada das relações bilaterais.

"É injusto e irrealista e, do nosso ponto de vista, contraproducente (...) continuar dando ênfase a isso (Mumbai), algo que suspende o processo de relações ampliadas entre os dois países", disse Bashir após a reunião com Rao.

Poucos avanços concretos eram esperados desta primeira reunião em Nova Délhi entre os dois altos funcionários.

Logo antes do início da reunião surgiram divergências em relação à agenda do dia, já que o Paquistão desejava o retorno imediato a um diálogo amplo, enquanto que a Índia queria concentrar as discussões no terrorismo, vontade reforçada pelo atentado praticado no dia 13 de fevereiro na cidade indiana de Pune, que deixou 16 mortos.

"Não estou muito otimista", comentou pouco antes do início da reunião o ministro indiano do Interior, P. Chidambaram, enquanto que outro alto funcionário, que pediu para não ser identificado, mencionou o "déficit de confiança" que persiste desde os atentados de Mumbai, atribuídos pela Índia a um grupo islamita paquistanês.

Mas o simples fato de os dois países, ambos dotados de armamento nuclear, iniciarem negociações representa um momento importante nas relações bilaterais.

Segundo analistas, os Estados Unidos desempenharam um papel-chave na retomada do diálogo, pois desejam a estabilidade da Ásia no momento em que suas tropas lutam contra os talibãs no Afeganistão.

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