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25/02/2010 - 11h11

Sepultado em Cuba preso político morto após greve de fome

O preso político Orlando Zapata, que morreu na terça-feira após uma greve de fome de dois meses e meio, foi sepultado nesta quinta-feira na cidade de Banes, 850 km ao leste de Havana, sob intensa vigilância dos agentes de segurança, informou à AFP a mãe do dissidente, Rosa Tamayo.

"Acabamos de sepultá-lo, muitos irmãos (dissidentes) me acompanharam, mas fomos reprimidos até o último instante do percurso", disse Rosa Tamayo, 60 anos, muito emocionada, por telefone desta localidade na província oriental de Holguín.

Acompanhada de dezenas de opositores, Tamayo, encabeçou o cortejo em um percurso de poucos quilômetros da casa até o cemitério.

"Queríamos carregar meu filho nos braços, mas não pudemos, o levamos de minha casa ao cemitério no carro fúnebre", contou.

Em um ato incomum, o presidente cubano Raúl Castro lamentou na quarta-feira a morte de Zapata, mas irritou mais uma vez a comunidade internacional ao negar a prática de torturas em Cuba e responsabilizou o governo dos Estados Unidos, o qual acusou de financiar a oposição com 50 milhões de dólares anuais.

"A morte de meu filho tem que me dar muita força, valor. Esta mãe não admite nenhuma mensagem de condolências de Raúl Castro, porque eles mataram meu filho", disse Tamayo, que tinha casa vigiada por dezenas de agentes de segurança.

Zapata, um pedreiro de 42 anos, morreu no hospital de Havana para o qual foi transferido da prisão em consequência das sequelas da greve de fome que iniciou em dezembro para protestar contra as condições carcerárias.

Ele era considerado pela Anistia Internacional um dos 55 "prisioneiros de consciência" dos 200 presos políticos de Cuba.

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